Interpol prende 270 suspeitos e desmantela 66 grupos em megaoperação contra tráfico de medicamentos
A Interpol anunciou nesta quinta-feira (7) que quase 270 pessoas suspeitas de tráfico de medicamentos foram presas e 66 grupos criminosos foram desmantelados em uma grande operação. Mais de 6 milhões de remédios ilícitos, avaliados em US$ 15,5 milhões, foram apreendidos.
A Operação Pangea XVIII foi realizada em março, em todos os continentes e em 90 países. Entre os medicamentos sem licença ou falsificados apreendidos estavam remédios para disfunção erétil, sedativos, analgésicos, antibióticos e produtos para parar de fumar.
"Graças aos mercados online e às cadeias de suprimentos informais, os criminosos podem explorar brechas nos controles e atingir pessoas que buscam tratamentos rápidos ou acessíveis", afirmou o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, alertando para consequências "graves, até mesmo fatais".
A organização, com sede em Lyon (centro-leste da França), observa um "aumento acentuado" nas apreensões de medicamentos antiparasitários, especialmente vermífugos autorizados apenas para uso veterinário.
Esses produtos, frequentemente apresentados como "suplementos alimentares", são vendidos como "tratamentos alternativos para o câncer", explica a Interpol, ressaltando que "essas alegações não são comprovadas por nenhuma evidência científica".
Fábrica clandestina
O uso desse tipo de produto já havia sido registrado durante a pandemia de Covid‑19, destaca a Interpol. A demanda por produtos farmacêuticos ligados a "desempenho" e "estilo de vida", como esteroides e peptídeos, continua a crescer, "impulsionada pelas comunidades de fisiculturismo e fitness".
Entre os principais casos identificados durante a operação, uma fábrica clandestina de medicamentos foi desmantelada na Bulgária, onde milhões de comprimidos, ampolas e produtos injetáveis foram apreendidos. Em Burkina Faso, as autoridades confiscaram 384 mil cápsulas de antibióticos. Na Costa do Marfim, uma tonelada de ibuprofeno falsificado foi encontrada em um veículo.
Com AFP