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Índia: apesar de proibição, 'Partido dos Baratas' protesta em Nova Délhi por demissão de ministro

O "Partido do Povo das Baratas" (Cockroach Janata Party, CJP), nascido online, convocou uma marcha até a Assembleia em Nova Délhi para exigir a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan. A polícia avançou contra os manifestantes com golpes de cassetete na praça onde eles estavam reunidos e dispersou os manifestantes. No dia anterior, as autoridades indianas haviam declarado a marcha ilegal e mobilizado um grande efetivo para proteger o Parlamento e outros prédios públicos.

20 jul 2026 - 15h55
(atualizado às 15h58)
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Abdoollah Earally, correspondente da RFI em Nova Délhi

Polícia indiana tenta conter os manifestantes na capital Nova Délhi, em 20 de julho de 2026.
Polícia indiana tenta conter os manifestantes na capital Nova Délhi, em 20 de julho de 2026.
Foto: © ARUN SANKAR / AFP / RFI

Desde o começo do dia, o clima esteve tenso na capital indiana. Jovens avançaram em pequenos grupos, desafiando a proibição de protestar decretada pela polícia já no domingo (19). Entre eles, muitos exibem cartazes pedindo a saída do ministro da Educação, após as fraudes massivas nos últimos exames nacionais. Impulsionado por uma geração Z muito presente nas ruas, o movimento se insere em uma onda de contestação que já dura um mês.

Entre esses manifestantes está Arya, de 21 anos, determinado a ser ouvido. "Estou aqui pela causa. Quero que algo mude", disse ele. "Não sei exatamente o quê, mas só quero que mude, porque este governo não funciona."

Por volta das 11 horas, o protesto se transformou em confronto. Em grande número, as forças de segurança dispararam bombas de gás lacrimogêneo e depois avançaram com cassetetes contra os manifestantes, perto da esplanada da capital onde eles estavam reunidos.

'Ninguém nos escuta'

Atul, jovem engenheiro, denuncia uma mobilização ignorada. "Ninguém nos escuta. Veja: há milhares de pessoas, principalmente estudantes. Queremos justiça. E este é só um protesto; se você viajar pelo país, há muitos outros."

O fundador do Partido das Baratas, Abhijeet Dipke, foi detido. O cenário urbano ficou praticamente todo bloqueado, sobretudo nos arredores do Parlamento, onde fileiras de barreiras policiais cortavam as avenidas e paralisavam o trânsito. Mesmo assim, os manifestantes garantem que continuarão mobilizados. "Não podemos mais sair daqui. Eles instalaram todas essas barreiras, mas não vamos parar. Isto aqui é a Índia. É o país de Mahatma Gandhi", afirma Himanshi.

Desde a tarde desta segunda-feira, o bairro do Parlamento permaneceu totalmente isolado. O movimento afirma, por ora, que vai manter a mobilização.

O clima ficou ainda mais pesado após a retirada brusca, no sábado (18), do ativista Sonam Wangchuk, de 59 anos, do local do protesto. Segundo a polícia, ele foi levado a um hospital da capital, conforme decisão judicial, devido à "deterioração de seu estado de saúde".

A indignação da geração Z varreu o medo da repressão. Os manifestantes são hoje muito mais numerosos do que no início do movimento: a polícia estima cerca de 8 mil pessoas, contra algumas centenas há um mês. Em maio, uma fraude levou à anulação de um exame realizado por mais de dois milhões de candidatos a vagas em cursos de medicina. Segundo a imprensa local, essa decisão provocou o suicídio de vários participantes.

A resiliência da baratas

O "Partido das Baratas", adotou esse símbolo inusitado para representar a resiliência e a capacidade de sobrevivência dos mais pobres, comparando-os à resistência das baratas. Nas últimas semanas, seus membros multiplicaram protestos em diversas cidades do país e atraíram muitos jovens que já não aceitam sair da universidade sem conseguir emprego, apesar do forte crescimento econômico da Índia.

"O primeiro-ministro Narendra Modi não demonstrou, até agora, grande preocupação com a juventude do país", lamentou nesta segunda-feira a manifestante Shubhi Rao, de 16 anos, que protestava com cinco colegas. "Nosso país merece um governo que se importe com o que os jovens têm a dizer e esteja disposto a corrigir seus erros", reforçou Sumit Kumar, de 18 anos, que espera "contribuir para a mudança" com sua presença.

Com a abertura da sessão parlamentar nesta segunda-feira, o líder da oposição na Câmara Alta, Mallikarjun Kharge, criticou o uso da força pela polícia para dispersar os manifestantes. "O governo tenta usar a força para silenciá-los", disse na tribuna. "Estamos falando do futuro de centenas de milhares de nossos jovens."

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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