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Incertezas complicam caso de navio com foco de hantavírus ao largo de Cabo Verde

Dois tripulantes doentes e uma pessoa que foi exposta ao hantavírus vão ser retiradas do navio suspeito de ser o foco da doença, que está ancorado ao largo de Cabo Verde. Após a evacuação médica, a embarcação deverá seguir para as Ilhas Canárias ou para os Países Baixos, afirmou nesta terça-feira (5) a Organização Mundial da Saúde (OMS). A organização também tenta localizar mais de 80 pessoas que estavam no mesmo voo que uma das passageiras infectadas.

5 mai 2026 - 15h54
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O navio MV Hondius poderá deixar o arquipélago cabo-verdiano após a retirada médica das três pessoas, que desembarcarão no porto da capital, Praia, e serão conduzidas de ambulância até o aeroporto nas proximidades da cidade, de onde seguirão de avião, explicou Ann Lindstrand, representante da OMS em Cabo Verde. Eles serão transferidos para os Países Baixos.

O navio de cruzeiro MV Hondius atraca no porto de Cabo Verde, enquanto os passageiros não foram autorizados a desembarcar devido a suspeitas de hantavírus a bordo, em Praia, Cabo Verde, em 4 de maio de 2026.
O navio de cruzeiro MV Hondius atraca no porto de Cabo Verde, enquanto os passageiros não foram autorizados a desembarcar devido a suspeitas de hantavírus a bordo, em Praia, Cabo Verde, em 4 de maio de 2026.
Foto: © Stringer / Reuters / RFI

"O que sabemos até agora é que o navio poderá partir em algum momento da madrugada, entre terça e quarta-feira, após a conclusão da evacuação médica", acrescentou.

O MV Hondius navegava de Ushuaia, na Argentina, para o arquipélago de Cabo Verde, transportando 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades. Desde domingo, o navio de cruzeiro permanece ancorado próximo ao porto de Praia, sem autorização para atracar.

A OMS informou no domingo que três mortes de passageiros estão associadas ao possível surto de hantavírus a bordo. A doença pode causar síndrome respiratória aguda grave.

A resposta ao incidente é coordenada entre os setores de saúde e autoridades portuárias de Cabo Verde, com apoio da OMS e em articulação com autoridades dos Países Baixos, país de origem do navio, e do Reino Unido, país de origem de ao menos uma das pessoas afetadas.

Destino final do navio ainda desconhecido

Ann Lindstrand afirmou ainda, em entrevista à AFP nesta terça-feira, que as discussões sobre o destino final do navio seguem em andamento.

"O plano inicial era que o navio partisse daqui para as Ilhas Canárias, com destino ao porto de Tenerife (...), mas existe a possibilidade de que siga diretamente para os Países Baixos", disse, acrescentando que negociações envolvem autoridades de saúde da Espanha, dos Países Baixos, de Cabo Verde e da OMS.

"Há dois tripulantes doentes com sintomas, e eles fazem parte das evacuações médicas", afirmou. Segundo ela, "o estado de saúde desses dois infectados é estável e se mantém assim há vários dias". As equipes médicas que os avaliaram "diversas vezes" concluíram que eles "não precisam ser hospitalizados".

Ela explicou ainda que uma terceira pessoa, que teve "contato próximo" com um paciente em estado grave, também vai desembarcar. "Essa pessoa está atualmente em bom estado de saúde e assintomática; no entanto, apresentou uma febre baixa há dois dias, e foi considerado mais seguro que ela desembarcasse", afirmou, classificando a operação como "complexa".

Ambulâncias estarão à espera no porto da Praia para transportar os pacientes ao aeroporto, com previsão de embarque na manhã de quarta-feira.

A agência de notícias holandesa ANP, citando o Ministério das Relações Exteriores dos Países Baixos, informou que os três indivíduos — entre eles um cidadão holandês — serão transferidos para o país europeu para tratamento médico.

"Todos os esforços estão sendo feitos para garantir que isso seja providenciado o mais rapidamente possível", acrescentou o ministério, segundo a ANP.

Busca por contatos

A Organização Mundial da Saúde anunciou ainda nesta terça-feira que iniciou esforços para localizar 82 passageiros que estavam a bordo do avião no qual uma das passageiras infectadas pelo hantavírus foi transportada da ilha de Santa Helena para Joanesburgo, na África do Sul.

A mulher holandesa, de 69 anos, desembarcou em Santa Helena em 24 de abril com "sintomas gastrointestinais" e embarcou no dia seguinte em um voo para Joanesburgo, segundo a OMS. Ela morreu em 26 de abril, e a infecção por hantavírus foi confirmada na segunda-feira. O marido dela, de 70, morreu a bordo do navio,

"Uma busca foi iniciada para localizar os passageiros" do voo que realizou essa rota, informou a organização em comunicado.

O voo era operado pela companhia aérea sul-africana Airlink e transportava, além dos passageiros, seis tripulantes, informou a diretora de vendas e marketing da empresa, Karin Murray.

A OMS, por meio de sua diretora interina do Departamento de Prevenção e Preparação, Maria Van Kerkhove, indicou a suspeita de "transmissão de pessoa para pessoa entre indivíduos em contato muito próximo".

Apenas um voo semanal liga Joanesburgo à ilha de Santa Helena, localizada no Atlântico Sul, com duração aproximada de quatro horas. As autoridades sul-africanas solicitaram à companhia aérea que informe os passageiros potencialmente afetados e os oriente a entrar em contato com o Ministério da Saúde caso ainda não tenham sido notificados, acrescentou Murray.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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