Igreja Católica critica execução ao vivo nos EUA: 'Incentiva cultura da morte'
Arcebispo Paul Coakley chamou decisão do Pentágono contra ex-militar de 'bárbara'
A Igreja Católica, por meio do arcebispo Paul Stagg Coakley, criticou a decisão do Pentágono de transmitir ao vivo a execução por fuzilamento de Nidal Malik Hasan, condenado pelo massacre na base de Fort Hood em 2009, que deixou 13 mortos. O líder religioso classificou a medida como bárbara e promotora de uma "cultura da morte", alertando que a exibição pública prejudica a consciência moral do país e contraria o princípio de preservação da vida.
O presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, arcebispo Paul Stagg Coakley, criticou a decisão do Departamento de Defesa norte-americano de transmitir ao vivo a execução por fuzilamento de Nidal Malik Hasan, condenado à morte pelo ataque que deixou 13 mortos e 32 feridos na base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009.
Em declaração aos meios de comunicação do Vaticano, Coakley afirmou ter recebido a notícia com "choque e grande pesar".
Para o religioso, a iniciativa representa uma promoção de uma "cultura de morte" e deve ser reconsiderada.
"Nosso Deus é o Deus da vida: as ações de Hasan não podem ser justificadas de forma alguma; no entanto, esta decisão é uma promoção bárbara de uma cultura de morte e deve ser reconsiderada", declarou o arcebispo.
Coakley também recorreu aos ensinamentos bíblicos para condenar a medida. "A Palavra de Deus nos exorta: 'não retribuam a ninguém o mal com o mal'", afirmou.
Segundo o presidente dos bispos católicos norte-americanos, a transmissão pública de uma execução, mesmo quando envolve alguém responsável por graves danos, pode aprofundar as divisões morais da sociedade.
"Uma execução pública ? mesmo de alguém que causou grave dano ? apenas prejudicará ainda mais o tecido moral de nossa nação e deixará uma mancha na consciência de seu povo", acrescentou.
Por fim, disse rezar para que os Estados Unidos escolham preservar a vida mesmo diante das circunstâncias mais difíceis.
"Rezo para que nós, como nação, possamos sempre escolher a vida, mesmo nas circunstâncias e tempos mais difíceis", concluiu.
O massacre contra a base militar de Fort Hood, no Texas, em 5 de novembro de 2009, matou 13 pessoas, sendo 12 militares e uma funcionária civil, e deixou outras 32 feridas.
Hasan, ex-major e psiquiatra do Exército dos Estados Unidos, foi condenado por 13 homicídios premeditados e 32 tentativas de homicídio e sentenciado à morte por um tribunal militar. Ontem (8), o Pentágono anunciou que sua execução por fuzilamento será transmitida ao vivo em 3 de dezembro.
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