Hyrox se desculpa por permitir continuação de corrida após incontinência fecal de atleta
Houve dúvidas relativas à higiene durante o evento indoor, ao lado de elogios à atleta que prosseguiu na corrida até o final, apesar das adversidades.
A organização esportiva Hyrox pediu desculpas públicas após permitir que uma atleta concluísse uma prova em Pequim mesmo após defecar durante o percurso. O caso gerou fortes críticas de participantes sobre higiene e segurança biológica, motivando pedidos de reembolso e questionamentos éticos sobre a priorização de resultados esportivos em detrimento da saúde pública. A marca alemã admitiu falhas nos protocolos, prometeu revisar suas regras e alertou que banirá autores de ataques contra a corredora.
A marca esportiva internacional Hyrox publicou um pedido de desculpas em resposta às críticas por ter permitido que uma atleta completasse uma corrida em Pequim, na China, após defecar durante a prova.
As imagens da mulher concorrendo na prova de fitness indoor levantaram receios em relação à higiene e questões sobre os motivos que levaram os organizadores a permitir que a atleta continuasse.
Após uma onda de críticas, um dos fundadores da Hyrox, Moritz Fürste, pediu desculpas a todos os que foram afetados "direta ou indiretamente" pelo incidente e declarou que a marca está trabalhando para alterar imediatamente as regras das suas competições.
Mas um especialista entrevistado pela BBC é da opinião de que permitir que a atleta continuasse pode indicar uma posição da empresa, colocando os resultados esportivos acima de outros fatores igualmente importantes.
Em declaração postada no Instagram, Fürste afirmou que a Hyrox "não lidou com a situação de forma adequada".
Ele aceitou a responsabilidade por ter deixado de prever o incidente e se comprometeu a "aprimorar os processos dos eventos" para "evitar que situações como esta aconteçam novamente".
'Situação imprevista'
A identidade da corredora foi publicada na internet. A Hyrox declarou que qualquer pessoa que enviar mensagens abusivas ou ameaças de violência para a atleta será proibida de participar de qualquer evento no futuro.
"Não há lugar na nossa comunidade para ameaças de violência ou incentivo para causar mal a um atleta", destacou a Hyrox, na sua declaração publicada nesta segunda-feira (14/9).
"Qualquer pessoa identificada como praticando este tipo de comportamento, seja através de comentários, mensagens diretas ou redes sociais, será permanentemente banida de todos os eventos da Hyrox", afirma a mensagem.
Ao se aprofundar sobre o desenrolar do incidente, a marca esportiva alemã afirma ter adotado "procedimentos médicos e de limpeza de biocontaminantes".
A Hyrox afirma que "surgiu uma situação imprevista" que confundiu os protocolos, "criando ambiguidades na sua forma de aplicação e entendimento".
Após o evento, ocorrido no sábado (12/9), alguns participantes exigiram um pedido de desculpas e reembolso. Eles defendem que foram forçados a entrar em contato com material contaminado, segundo a imprensa chinesa.
Joe Ho participou da competição da Hyrox em Pequim. Ele criticou a reação dos organizadores ao ocorrido e convocou a empresa a "assumir a responsabilidade em caso de falha dos seus procedimentos".
"Se a organização admite que algo saiu errado, por que não oferecer aos participantes afetados reembolsos, créditos ou alguma forma significativa de compensação?", questionou ele.
O professor Anthony Huang, do Departamento de Informações e Comunicação Esportiva da Universidade Nacional do Esporte de Taiwan, declarou ao serviço chinês da BBC que incidentes como este podem refletir um "comportamento movido a resultados" da marca esportiva, que passa por rápido crescimento.
"A ideia de que 'uma vitória é uma vitória' representa uma visão de competição que é movida a resultados, mas uma cultura esportiva madura não pode apenas perguntar se você venceu", explica ele. "Ela também precisa perguntar como você venceu."
Huang destaca que o incidente levanta questões sobre o modelo de negócios da Hyrox e se o lado comercial poderia estar superando sua capacidade de administrar o esporte.
Em cada competição de Hyrox, os participantes alternam entre um quilômetro de corrida e exercícios de fitness. Eles incluem sled push (empurrar trenó), burpee jump (flexão com salto), remo indoor e lunges (estocadas), carregando um saco de areia.
A competição foi criada em 2017 em Hamburgo, na Alemanha. Desde então, sua popularidade disparou e, agora, ela existe em todo o mundo. Na China, o esporte foi introduzido no final de 2024.
Houve questionamentos sobre os motivos que levaram os fiscais da competição realizada em Pequim no fim de semana a não intervir quando ocorreu o incidente. Afinal, a Hyrox penaliza atos como "cuspir, limpar o nariz, jogar lixo e desperdiçar água".
Outras pessoas da comunidade destacaram que incidentes como este já foram verificados entre atletas de longa distância.
Em 2005, a maratonista britânica Paula Radcliffe ficou famosa ao interromper sua participação na Maratona de Londres logo após os 35 km e se dirigir à lateral da estrada para atender às suas necessidades, em plena vista das câmeras. Ela retornou em seguida e ainda venceu a prova.
Em entrevista à BBC na época, Radcliffe chamou o incidente de "necessidade constrangedora".
"Quando estou correndo, fico totalmente concentrada em vencer a corrida e correr o mais rápido que puder", declarou ela.
Em outra ocasião, a maratonista chinesa Li Meizhen chegou às manchetes ao cruzar a linha de chegada da Maratona do Lago Hengshui, no norte da China, com sangue menstrual nas pernas.
O Hyrox se expandiu rapidamente pela China. Academias de todo o país vêm lucrando com a nova moda.
Mais de 500 academias chinesas afiliadas oferecem treinamento específico para o Hyrox, segundo a agência de notícias estatal Xinhua.
A demanda pela recente corrida em Pequim foi tão grande que os organizadores acrescentaram mais um dia ao evento. Foram necessários quatro dias de competição para receber uma quantidade maior de atletas.
Com colaboração de Laura Bicker, em Pequim.
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