Houthis avançam para assumir controle de regiões montanhosas do Iêmen; Trump teria cancelado ataques aéreos
Combatentes houthis avançam sobre montanhas estratégicas no Iêmen para isolar a costa do Mar Vermelho e proteger o Estreito de Bab al-Mandab, ampliando a ameaça energética global. Apesar de intensos bombardeios sauditas, as forças apoiadas por Riad recuam em meio a uma crise que já causou cerca de 700 mortes e 120 mil deslocados. Paralelamente, o ex-presidente Donald Trump teria cancelado no último minuto ataques aéreos dos EUA contra os rebeldes, que alegam ter disparado contra a capital saudita.
Combatentes houthis avançavam para tomar posições estratégicas no Iêmen nesta segunda-feira, com o objetivo de isolar a costa do Mar Vermelho das áreas ainda controladas pelas forças apoiadas pela Arábia Saudita, após notícia de que o presidente Donald Trump havia cancelado, no último minuto, ataques dos EUA contra o grupo.
Um avanço relâmpago do grupo apoiado pelo Irã neste mês alastrou o conflito pelo Oriente Médio a um novo teatro de operações e ameaçou ainda mais o abastecimento global de energia.
Washington rejeitou até o momento os repetidos apelos do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, para que se juntasse à luta no Iêmen. Os houthis afirmaram no sábado ter disparado contra Riad, onde estrondos altos foram seguidos por colunas de fumaça visíveis perto do aeroporto.
A Arábia Saudita não se pronunciou sobre os primeiros ataques aparentes à capital desde o início da escalada.
O "New York Times" informou que o governo Trump se preparou no domingo para lançar ataques aéreos contra os houthis após novos apelos do príncipe herdeiro saudita. Mas o jornal disse que Trump cancelou os ataques aéreos no último minuto, enquanto as tropas carregavam bombas nas aeronaves.
A Reuters não conseguiu verificar imediatamente a informação, e o Comando Central das Forças Armadas dos EUA não respondeu a um email solicitando comentários.
CONFLITO NAS REGIÕES MONTANHOSAS
Os houthis, que controlam a capital do Iêmen desde 2014, tomaram a costa do Mar Vermelho do país neste mês em um avanço relâmpago que derrotou as forças de um governo iemenita reconhecido internacionalmente, apoiado pela Arábia Saudita e com sede no sul.
A Arábia Saudita lançou centenas de ataques nos últimos dias contra as posições dos combatentes nas terras altas, segundo os houthis. Mas a vantagem do poder aéreo pouco fez, até o momento, para frear o avanço dos combatentes, à medida que as forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita foram se dissipando.
De acordo com as Nações Unidas, quase 700 pessoas foram mortas e milhares ficaram feridas nos combates. Mais de 120 mil iemenitas fugiram de suas casas dentro do Iêmen, e outros milhares fugiram de barco pelo Mar Vermelho rumo à África.
Cinco fontes militares iemenitas disseram à Reuters que os houthis agora buscam tomar alturas estratégicas, conhecidas como as Montanhas Kahboub, em duas províncias, Taiz e Lahij, que separam a costa do Mar Vermelho do sul controlado pelo governo.
Os combates têm se concentrado nos arredores do remoto distrito montanhoso de Al-Wazi'iyah, na província de Taiz, e em Ras al-Ara, ao longo da costa do Oceano Índico, entre a foz do Mar Vermelho — que os combatentes capturaram na semana passada — e a base do governo em Aden.
O objetivo dos houthis é garantir a retaguarda de suas forças ao redor do Estreito de Bab al-Mandab, que dá acesso ao Mar Vermelho, assumindo o controle das alturas, o que lhes permitiria abrir novas frentes, segundo as fontes. Isso ajudaria a proteger as posições expostas que os houthis capturaram durante seu avanço em torno de Dhubab, no Mar Vermelho, e na Ilha de Perim, no estreito.
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