Homem que matou brasileira na frente dos filhos na Itália pega prisão perpétua
Ezio Di Levrano terá ainda que pagar indenização à família da vítima
A Justiça italiana condenou nesta quarta-feira (24) à prisão perpétua Ezio Di Levrano, acusado de feminicídio contra sua esposa, a brasileira Ana Cristina Duarte.
Ana Cristina, de 38 anos, foi morta a facadas, em 7 de setembro de 2024, diante dos três filhos do casal, então com 6, 12 e 14 anos de idade. O crime ocorreu em Colli al Metauro, município da região de Marcas.
Além da pena de prisão perpétua, o Tribunal de Pesaro reconheceu como agravantes a extrema crueldade do crime, praticado no contexto de violência doméstica e na presença dos filhos menores do casal.
A sentença também determinou a condenação do réu ao pagamento de indenizações e à reparação dos danos causados à família da brasileira.
Natural de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Ana Cristina conheceu Di Levrano no Brasil há cerca de 15 anos. Após engravidar, casou-se e mudou-se para a Itália, onde passou a viver uma realidade marcada por dificuldades e violência. Pouco tempo depois de sua chegada ao país, o marido foi preso por tráfico de drogas, obrigando-a a enfrentar a primeira gravidez sozinha.
Com o passar dos anos, Ana Cristina tornou-se vítima recorrente de violência doméstica. Em 2023, chegou a denunciar o marido às autoridades italianas, mas posteriormente retirou a denúncia.
"Ana Cristina desejava a separação e buscava reconstruir sua vida. Entretanto, como ocorre com milhares de mulheres em situação de violência, enfrentava dificuldades para sair daquele ambiente, especialmente pela preocupação com o futuro e a proteção das crianças", ressaltou Renata Bueno, que atua como advogada da família da vítima.
Com a condenação de Di Levrano, ainda resta em aberto o futuro dos filhos do casal.
Atualmente, os três irmãos permanecem sob a proteção das autoridades italianas enquanto a Justiça analisa as alternativas para sua guarda definitiva. Entre as possibilidades estão a entrega da tutela à família materna brasileira, a permanência sob acolhimento institucional ou outras medidas que atendam ao melhor interesse dos menores. A família paterna já manifestou que não pretende reivindicar a guarda.
"Nosso compromisso agora é continuar lutando para que essas crianças tenham garantidos seus direitos, sua segurança e a possibilidade de reconstruir suas vidas cercadas de afeto e proteção", afirmou Bueno.
"Nenhuma sentença é capaz de devolver uma mãe aos seus filhos, mas a Justiça precisa assegurar que eles tenham um futuro digno", concluiu a advogada.
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