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Homem pega 24 anos por sequestrar ônibus escolar na Itália

Ousseynou Sy disse que queria protestar contra mortes no mar

15 jul 2020
11h36
atualizado às 11h48
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O Tribunal de Apelação de Milão condenou nesta quarta-feira (15) o motorista ítalo-senegalês Ousseynou Sy, 47, a 24 anos de prisão pelo sequestro de um ônibus escolar em março de 2019.

O motorista ítalo-senegalês Ousseynou Sy durante seu julgamento em Milão
O motorista ítalo-senegalês Ousseynou Sy durante seu julgamento em Milão
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O episódio ocorreu em San Donato Milanese e terminou sem vítimas graças à ação corajosa dos adolescentes Ramy Shehata e Adam El Hamami, que esconderam seus celulares do sequestrador e avisaram a polícia. Ambos são filhos de imigrantes e ganharam a cidadania italiana por heroísmo em junho daquele ano.

Em sua sentença, a Corte de Apelação de Milão admitiu a tese do Ministério Público de sequestro com finalidade de terrorismo e também determinou o pagamento de uma indenização de 25 mil euros para cada um dos 51 estudantes presentes no ônibus, com exceção de um único que abriu mão da quantia, e de 3 mil euros para cada família.

Antes do pronunciamento da sentença, Sy reafirmou que o crime teve como objetivo denunciar as mortes de migrantes e refugiados no Mediterrâneo. "Se querem me condenar, que o façam, mas lembrem-se de que meu gesto tinha o único objetivo de salvar vidas humanas, porque não dava mais, eu via os horrores todos os dias", disse.

O sequestro ocorreu enquanto o líder de extrema direita Matteo Salvini era ministro do Interior e responsável pelas políticas migratórias da Itália. Sy o definiu no tribunal como "pequeno Duce", em referência ao apelido usado por Benito Mussolini, e usava uma máscara facial com os dizeres "A África nunca morrerá".

"O criminoso, para esse delinquente, fanático e violento, seria eu. Esperamos que não saia da cadeia nunca mais", escreveu Salvini no Twitter.

A defesa contesta a tese de terrorismo e prometeu recorrer da sentença. Já a mãe de Adam El Hamami rejeitou a hipótese de que Sy tenha sequestrado o ônibus escolar para protestar. "Todos ficamos impressionados e condenamos as mortes no mar, mas ele sequestrou filhos de imigrantes, e não acreditamos que o tenha feito por protesto", disse à ANSA.

Dinâmica

Sy levava os jovens de volta a uma escola de Crema, a 50 quilômetros de Milão, após uma atividade externa. Perto de San Donato Milanese, ele mudou a rota e anunciou aos 51 estudantes a bordo que iria para o Aeroporto de Linate. Três funcionários da escola, incluindo dois professores, também estavam no veículo.

O motorista confiscou os celulares dos alunos, mas Ramy e Adam esconderam seus aparelhos e conseguiram alertar a polícia. O agressor tentou furar um bloqueio da Arma dos Carabineiros, mas perdeu o controle do ônibus, que se chocou contra uma mureta.

Sy então espalhou gasolina pelo veículo e o incendiou, porém os policiais conseguiram retirar todos os passageiros em segurança. O sequestro durou pouco menos de 40 minutos. Cidadão italiano desde 2004, o motorista tinha antecedentes penais por dirigir embriagado (2007) e assédio sexual contra uma adolescente (2011).

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Ansa - Brasil   
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