Hamas anuncia desarmamento na Faixa de Gaza; Israel não confirma retirada de tropas
O Hamas confirmou nesta sexta-feira (31) a conclusão de um acordo para seu desarmamento na Faixa de Gaza, previsto na segunda fase do cessar-fogo com Israel e incluído no plano de paz proposto por Donald Trump. O acordo foi alcançado nove meses após a entrada em vigor de uma trégua no enclave.
Dirigentes do Hamas confirmaram um compromisso "sobre a questão das armas" e uma "retirada progressiva" das forças israelenses, que atualmente controlam mais de 60% de Gaza. Israel não comentou imediatamente o anúncio. O Exército israelense lançou uma ofensiva na Faixa de Gaza após o ataque do Hamas a seu território em 7 de outubro de 2023.
Nas próximas duas semanas, deverá ser definido um cronograma para a transferência do poder a uma administração formada por técnicos e para o armazenamento imediato do armamento pesado do Hamas, que ficará sob controle internacional.
Uma força multinacional deverá ser enviada à Faixa de Gaza. O Hamas afirma que não entregará as armas antes de uma retirada efetiva do Exército israelense.
Segundo um dirigente do movimento extremista, o grupo conta com os mediadores e com o "Conselho de Paz", criado em janeiro pelo presidente americano Donald Trump, para garantir que Israel cumpra os termos do acordo. O Hamas fez "concessões pelo bem do nosso povo na Faixa de Gaza, para salvá-lo da morte e do deslocamento", declarou Ghazi Hamad, integrante da equipe de negociação do grupo islamista.
De acordo com Hamad, o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG) será encarregado do desarmamento do grupo. A estrutura é formada por tecnocratas palestinos e foi criada pelo "Conselho de Paz" para administrar o cotidiano do enclave durante o período de transição.
Atualmente sediado no Egito, o NCAG está impedido por Israel de acessar a Faixa de Gaza, segundo veículos de comunicação egípcios e palestinos. Hamad acrescentou que o Hamas passará agora a discutir com os mediadores os detalhes da implementação e a definir um calendário para a execução do acordo. "Esse processo levará cerca de 14 dias, ou talvez mais", estimou.
Em Israel, o anúncio é recebido com cautela, e o desarmamento prévio e total do Hamas é considerado essencial para a retirada das tropas israelenses.
Apesar do cessar-fogo, os combates entre Israel e Hamas continuam. Na quinta-feira, ataques israelenses deixaram pelo menos quatro mortos, segundo as autoridades de saúde locais. O Egito sedia há semanas negociações para implementar a segunda fase do cessar-fogo, que entrou em vigor em outubro passado e tem como objetivo encerrar definitivamente a guerra.
The Board of Peace and the mediating countries of Egypt, Qatar, Türkiye, and the United States today are pleased to announce that Hamas has agreed to a detailed Roadmap for implementing the next phases of the Gaza ceasefire.
The agreement concludes months of intensive, good…
— Board of Peace (@BoardOfPeace) July 31, 2026
Nova etapa
O representante para Gaza no "Conselho de Paz", Nikolai Mladenov, afirmou nesta sexta que a implementação e a verificação do acordo devem "ser reais". "A retirada deve avançar em conjunto com o desarmamento", declarou.
Na rede X, o "Conselho de Paz" informou que iniciará "em breve uma transição progressiva para o exercício pleno da autoridade, com o apoio da Força Internacional de Estabilização (ISF)", estrutura em formação destinada a reunir tropas multinacionais.
Trump elogiou na noite de quinta-feira o que chamou de "etapa monumental rumo a uma paz e segurança duradouras" e classificou o acordo como "histórico". Segundo ele, a ISF trabalhará posteriormente "com uma nova força policial palestina para garantir a segurança em Gaza".
Hopeful news from #Gaza: Hamas has agreed to a roadmap for disarmament. I welcome agreement reached by the #US with support of mediators from 🇪🇬 🇶🇦 🇹🇷 & @nmladenov. It is now key that real progress is made & Hamas actually disarms. It must never again pose a threat to #Israel 1/2
— Johann Wadephul (@AussenMinDE) July 31, 2026
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, também reagiu ao anúncio. Segundo ele, o Hamas "não deve voltar a representar uma ameaça para Israel". Wadephul afirmou ainda que saúda as "medidas tomadas por Israel para permitir o deslocamento da Força Internacional de Estabilização" para o enclave sitiado.
"Consequentemente, novos pontos de passagem para Gaza devem ser abertos sem demora", escreveu o ministro na rede X. "Contribuiremos para a implementação deste acordo", acrescentou.
O ataque realizado pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 desencadeou uma ofensiva israelense de grandes proporções na Faixa de Gaza, que causou mais de 73,3 mil mortes, segundo o Ministério da Saúde do território palestino, controlado pelo Hamas.
Com agências
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