Guterres abre Assembleia Geral da ONU com apelo por 'diálogo' no Oriente Médio
Secretário-geral também falou em 'limpeza étnica' na Cisjordânia
Na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, António Guterres pediu diálogo urgente no Oriente Médio, a preservação da solução de dois Estados e alertou contra a limpeza étnica na Cisjordânia. Ele também condenou a invasão russa na Ucrânia por violar a Carta da ONU e impactar civis e cadeias globais de suprimentos. Por fim, defendeu a reforma do Conselho de Segurança para refletir o cenário atual, destacando como injusta a ausência de um assento permanente para a África.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, abriu nesta terça-feira, 22, os trabalhos da 81ª Assembleia Geral da ONU com um apelo por uma desescalada no Oriente Médio e um alerta sobre o "espectro de uma limpeza étnica" na Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel.
Em seu último discurso no cargo, o português pediu aos líderes presentes que aproveitem a semana de alto nível para promover o diálogo.
"Em todo o Oriente Médio, os conflitos estão se multiplicando em cadeia. Faço um apelo aos líderes presentes neste plenário para que aproveitem ao máximo esta semana de alto nível para favorecer a desescalada e o diálogo", afirmou Guterres em Nova York.
"Os combates devem cessar, a ajuda humanitária deve poder fluir, e os direitos e as liberdades de navegação devem ser plenamente restabelecidos, em conformidade com o direito internacional", acrescentou.
O secretário-geral também fez um apelo para que a solução de dois Estados para o conflito entre Israel e Palestina "não desapareça diante de nossos olhos", recebendo os aplausos do plenário.
Em seguida, alertou para a situação da Cisjordânia ocupada. "A violência, os deslocamentos e a expansão dos assentamentos [israelenses] estão destruindo o caminho para a paz e aumentando o espectro da limpeza étnica", destacou.
Além disso, declarou que a "invasão em larga escala da Rússia" contra a Ucrânia "arrastou um país soberano para uma guerra brutal, em clara violação da Carta das Nações Unidas".
"Os civis continuam perdendo a vida mesmo distantes do fronte, sobretudo na Ucrânia, porém, mais recentemente, também em algumas áreas da Rússia. Residências, infraestruturas energéticas e hídricas e sistemas de transporte foram repetidamente atacados, colocando em risco as cadeias de abastecimento de alimentos e energia em nível global", disse.
Guterres ainda aproveitou a ocasião para defender uma reforma do Conselho de Segurança da ONU que "espelhe o mundo atual". "O exemplo mais flagrante é a África, que ainda não dispõe de um assento permanente. Um Conselho de Segurança do século 21 desprovido de representação africana permanente é injusto e indefensável", salientou.
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