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Guerra, seca e queda da assistência alimentarão a fome em 2026, diz relatório global

24 abr 2026 - 11h18
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Conflitos, secas e redução da assistência ‌humanitária manterão a fome global em níveis críticos em 2026, com previsão de piora da insegurança alimentar em alguns dos países mais frágeis do mundo, de acordo com o Relatório Global sobre Crises Alimentares de 2026.

A 10ª edição do monitor da fome, publicada por uma coalizão de organizações humanitárias e de desenvolvimento, afirma que a fome aguda ⁠dobrou na última década, com duas crises de fome declaradas no ano passado pela primeira ‌vez na história do relatório -- em Gaza e no Sudão.

No total, 266 milhões de pessoas em 47 países e territórios enfrentaram altos níveis de insegurança alimentar aguda em ‌2025, enquanto 1,4 milhão de pessoas enfrentaram condições catastróficas ‌em partes do Haiti, Mali, Gaza, Sudão do Sul, Sudão e Iêmen.

Somente ⁠em 2025, 35,5 milhões de crianças em todo o mundo estavam com desnutrição aguda, incluindo quase 10 milhões que sofriam de desnutrição aguda grave.

Analisando este ano, o relatório afirma que os níveis de gravidade continuam críticos, sendo que apenas o Haiti deve escapar da pior faixa "catastrófica" graças a uma ligeira melhora na segurança e ao aumento da ajuda ‌humanitária.

"Não estamos mais vendo apenas choques temporários, mas choques persistentes ao longo do tempo", disse ‌Alvaro Lario, chefe do Fundo ⁠Internacional de Desenvolvimento Agrícola ⁠da ONU, que ajuda a elaborar o relatório anual.

"A principal mensagem é que a insegurança alimentar ⁠não é mais uma questão isolada, mas ‌está pressionando a estabilidade global", disse ‌ele à Reuters.

GUERRA CONTRA O IRÃ PROVAVELMENTE AGRAVARÁ CRISE

A guerra entre EUA e Israel contra o Irã aumentou o alarme, disse Lario, alertando que a interrupção prolongada do comércio de energia e fertilizantes poderá se espalhar pelos mercados globais de ⁠alimentos e piorar a fome em países dependentes de importações que já estão em crise.

"Mesmo que o conflito no Oriente Médio terminasse agora, sabemos que muitos dos choques nos preços dos alimentos e da inflação ocorrerão nos próximos seis meses", disse ele.

Mesmo antes do estresse adicional dessa última guerra, ‌a África Ocidental e a região africana do Sahel pareciam estar sob forte pressão este ano devido a conflitos e inflação persistente, principalmente na Nigéria, Mali, Níger e ⁠Burkina Faso.

Somente a Nigéria deverá registrar um dos maiores aumentos na insegurança alimentar em 2026, com a previsão de que mais 4,1 milhões de pessoas enfrentarão fome aguda.

Na África Oriental, espera-se que a falta de chuvas em grande parte do Chifre da África aumente o sofrimento na Somália e no Quênia, onde a seca, a insegurança, os altos preços dos alimentos e a redução da ajuda humanitária provavelmente levarão à piora das condições.

O relatório também alertou que o financiamento humanitário e de desenvolvimento para os setores de alimentos durante crises caiu drasticamente em 2025 e a projeção é de que diminua ainda mais.

Estima-se que o financiamento humanitário ao setor de alimentos tenha caído cerca de 39% no ano passado em relação aos níveis de 2024, enquanto a assistência ao desenvolvimento sofreu uma contração de pelo menos 15%.

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