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Guerra na Ucrânia: Rússia bloqueia acesso a Twitter e ameaça Facebook

Especialistas acusam Moscou de "limitar o livre fluxo de informações em tempos de crise".

26 fev 2022 - 12h43
(atualizado às 13h13)
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O Facebook disse que não vai parar de checar fatos e rotular conteúdo de organizações de notícias estatais
O Facebook disse que não vai parar de checar fatos e rotular conteúdo de organizações de notícias estatais
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

A Rússia bloqueou o Twitter e ameaçou fazer o mesmo com o Facebook após um confronto por "censura".

O órgão regulador de comunicações da Rússia, Roskomnadzor, acusa o Facebook de violar "os direitos e liberdades dos cidadãos russos".

O Facebook disse que se recusa a parar de checar fatos e rotular conteúdo de organizações de notícias estatais.

Especialistas da ONG de segurança cibernética NetBlocks dizem que há uma restrição total ou quase total no Twitter na Rússia.

O bloqueio aconteceu depois do ataque da Rússia à Ucrânia, quando muitos vídeos e imagens da invasão viralizaram nas mídias sociais.

A NetBlocks diz que o Facebook e o Instagram parecem estar funcionando normalmente, mas os serviços do Twitter começaram a ser interrompidos na manhã deste sábado (26/2). Relatos dos usuários corroboram isso.

É possível contornar essas medidas de bloqueio usando serviços de VPN.

O diretor da NetBlocks, Alp Toker, disse à BBC: "A restrição do Twitter na Rússia limitará significativamente o livre fluxo de informações em um momento de crise, quando o público mais precisa se manter informado".

O Twitter não respondeu aos pedidos de entrevista. O Roskomnadzor não anunciou oficialmente nenhuma ação contra o Twitter.

Não está claro que tipo de restrição poderia vir a ser implementado contra o Facebook e outras plataformas da Meta — como WhatsApp, Facebook Messenger e Instagram.

O órgão regulador russo exigiu que o Facebook suspendesse as restrições impostas na quinta-feira à agência de notícias estatal RIA, ao canal de TV estatal Zvezda e aos sites de notícias pró-Kremlin Lenta.Ru e Gazeta.Ru. Ele disse que a Meta havia "ignorado" esses pedidos.

O vice-presidente de assuntos globais da Meta, Nick Clegg, disse que as autoridades russas "ordenaram que parássemos com a verificação independente de fatos e rotulagem [de notícias falsas]" do conteúdo dos veículos. "Nós nos recusamos."

Ele quer que os russos continuem usando as plataformas da Meta.

"Russos comuns estão usando nossos aplicativos para se expressar e se organizar para a ação", disse Clegg. Segundo ele, a empresa quer que "eles continuem fazendo suas vozes serem ouvidas".

Muitos meios de comunicação estatais na Rússia têm divulgado uma imagem positiva dos avanços militares russos na Ucrânia, chamando a invasão de "operação militar especial".

Na quinta-feira (24/2), o Meta disse que montou um "centro de operações especiais" para monitorar o conteúdo sobre o conflito na Ucrânia.

A Rússia tem seus próprios sites equivalentes ao Facebook, o VK e o Odnoklassniki, mas o Facebook segue muito popular no país, assim como o Instagram, de propriedade da Meta.

Na sexta-feira (25/2), o senador americano Mark Warner disse que Facebook, YouTube e outros serviços de mídia social têm "uma responsabilidade clara de garantir que seus produtos não sejam usados para facilitar abusos de direitos humanos".

A Meta está sob pressão para rotular notícias falsas publicadas na plataforma, e tem trabalhado com verificadores externos de fatos, incluindo a agência de notícias Reuters.

Moscou também aumentou a pressão sobre a imprensa local, ameaçando bloquear reportagens que contenham o que descreve como "informações falsas" sobre sua invasão da Ucrânia.

O Twitter disse à BBC que suas equipes de segurança e integridade estavam "interrompendo tentativas de amplificar informações falsas e enganosas".

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