Guerra com a Rússia é 'principal preocupação da França', diz chefe das Forças Armadas do país
O general Fabien Mandon, chefe do Estado‑Maior das Forças Armadas da França, afirmou nesta quinta‑feira (9) que a possibilidade de uma "guerra aberta" com a Rússia é sua "principal preocupação". Ele lembrou que já alertou para o risco de um conflito "dentro de três ou quatro anos". Em novembro de 2025, o general pediu mobilização para enfrentar a ameaça, sugerindo que o país deveria estar "disposto a aceitar perder seus filhos", se fosse necessário. A declaração gerou polêmica no país.
"A permanência de uma ameaça russa sobre o nosso continente, com uma guerra aberta, continua sendo minha principal preocupação em termos de preparo das Forças Armadas", declarou Mandon. A afirmação foi feita aos deputados da Comissão de Defesa, durante audiência sobre a atualização da lei de programação militar, que prevê reforço do orçamento da defesa até 2030.
"Cada país tem liberdade para evoluir, mas as projeções atuais indicam que a Rússia deverá contar, em 2025, com 1,3 milhão de soldados, número que pode chegar a 1,9 milhão em 2030", disse. Segundo ele, a quantia de tanques pesados russos deve passar de 4.000 em 2025 para 7.000 em 2030, enquanto a frota de navios de combate da Marinha russa "deve permanecer entre 230 e 240 unidades".
"Não se trata de uma visão dogmática, mas de uma avaliação baseada em informações de inteligência", afirmou, ao justificar a necessidade de reforçar os meios da defesa francesa.
Para o chefe do Estado‑Maior francês, "essa lei de programação militar é determinante para a defesa dos cidadãos, do país e de seus interesses", acrescentou. "Vivemos um momento em que o perigo está presente. Não se trata de gerar alarmismo, mas de despertar atenção, porque precisamos desse investimento em defesa", disse Mandon.
'Simultaneidade de crises'
O projeto de atualização da lei de programação militar, apresentado na quarta‑feira ao Conselho de Ministros, prevê um aumento de € 36 bilhões para as Forças Armadas, além dos € 413 bilhões já previstos para o período de 2024 a 2030.
O general citou ainda o "uso crescente da força" e a persistência da ameaça terrorista no Oriente Médio, na Ásia e no continente africano como fatores que justificam o esforço financeiro solicitado à população francesa.
Segundo ele, "já não é possível manter o mesmo nível de confiança no compromisso dos Estados Unidos com a nossa segurança", embora o diálogo com as autoridades militares americanas continue sendo de "altíssima qualidade".
Diante da "simultaneidade das crises", as prioridades dos EUA "não são as mesmas da França ou da Europa, afirmou. Ele lembrou o alerta que Washington faz há meses: "'reforcem‑se, talvez não consigamos suprir suas necessidades quando precisarem'".
O Kremlin reagiu às declarações e considerou as preocupações "absolutamente infundadas". "A Rússia não representa ameaça a nenhum país que não tenha intenção de atentar contra a Federação Russa", declarou o porta‑voz Dmitri Peskov, em resposta a uma pergunta da AFP.
Com agências