Irã ignora pressão dos EUA e descarta restringir programa de enriquecimento de urânio
Declaração contraria exigência de Donald Trump para pós-guerra
O chefe do programa nuclear do Irã, Mohammad Eslami, declarou nesta quinta-feira (9) que os apelos internacionais para limitar o enriquecimento de urânio no país são "ilusões" e não terão efeito sobre as atividades nucleares iranianas.
A declaração contraria as exigências do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que o Irã não poderá mais enriquecer urânio no pós-guerra e prometeu remover o material nuclear do país.
Segundo reportagem da emissora Iran International, Eslami ressaltou que "nenhuma lei ou indivíduo pode nos deter", lembrando que as tentativas passadas de adversários, incluindo a guerra em andamento, provaram ser um fracasso.
"Todas as conspirações e ações dos inimigos, incluindo esta guerra selvagem, não produziram resultados, e tentam obter algo por meio de negociações apenas para satisfazer a si mesmos e aos sionistas", concluiu.
O diretor da Organização de Energia Atômica do Irã já reiterou diversas vezes que o país possui o direito de desenvolver o enriquecimento de urânio como uma tecnologia soberana, destacando que o setor nuclear da nação persa segue funcionando, mesmo diante de sanções e pressões internacionais.
A pressão dos EUA é feita antes das negociações pelo fim da guerra serem retomadas na próxima sexta-feira (10) no Paquistão e ocorre em meio a uma trégua frágil, que já teria sido violada por Israel, de acordo com governo iraniano.
O enriquecimento de urânio continua sendo o principal ponto de conflito entre os dois países. Esse processo é fundamental para a produção de ogivas nucleares e esteve entre os motivos que levaram os EUA a declarar guerra contra o Irã.