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Guaidó convoca grande mobilização contra Maduro até Caracas

Líder opositor acusa presidente pela falta de energia e se mostra aberto a uma intervenção externa

9 mar 2019
21h12
atualizado às 21h14
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CARACAS - O líder opositor venezuelano Juan Guaidó convocou neste sábado, diante de milhares de apoiadores, uma grande mobilização até Caracas, em data a definir, para pressionar pela saída do poder do presidente Nicolás Maduro, a quem responsabilizou pelo apagão que atinge o país produtor de petróleo.

Com um megafone, falando no teto de uma caminhonete, Guaidó afirmou que fará um giro com deputados pelo país, para, em seguida, definir a data da mobilização, que, segundo ele, ocorrerá "muito em breve".

Líder da oposição, Juan Guaidó, quer uma grande mobilização para pressionar ainda mais o presidente Nicolás Maduro
Líder da oposição, Juan Guaidó, quer uma grande mobilização para pressionar ainda mais o presidente Nicolás Maduro
Foto: Ivan Alvarado / Reuters

"Miraflores, Miraflores!", gritavam os apoiadores de Guaidó, referindo-se à sede do governo. Eles estavam reunidos na Avenida Victoria, onde a polícia impediu a instalação de um palanque onde Guaidó falaria.

O líder opositor reiterou que está disposto a autorizar a ação de uma força estrangeira quando acreditar ser conveniente. "Intervenção!", pediu a multidão, à qual o líder opositor respondeu parafraseando o governo de Donald Trump: "Todas as opções estão sobre a mesa".

Guaidó proclamou-se presidente interino da Venezuela em 23 de janeiro, invocando artigos da Constituição, e foi reconhecido por Estados Unidos, Brasil e dezenas de países, que acusam Maduro de obter novo mandato em eleições fraudulentas.

Maduro compareceu a uma manifestação governista que reuniu uma multidão no centro de Caracas, quando se cumprem quatro anos desde que os EUA declararam a Venezuela uma ameaça à sua segurança.

'Guerra elétrica'

O presidente venezuelano atribui o apagão a uma "guerra elétrica promovida pelo imperialismo americano". Nesta sexta-feira, ele denunciou que um novo "ataque cibernético" frustrou o processo de restabelecimento de energia, em meio a um apagão que já durava mais de 48 horas.

"Hoje, 9 de março, havíamos avançado quase 70%, quando sofremos, ao meio-dia, um novo ataque de caráter cibernético a uma das fontes de geração, que funcionava perfeitamente, o que perturbou e derrubou tudo que havíamos conseguido", disse Maduro a uma multidão.

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante manifestação neste sábado (09/03/2019)
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante manifestação neste sábado (09/03/2019)
Foto: Manaure Quintero / Reuters

O gigantesco corte de energia, o pior sofrido no país de 30 milhões de habitantes, começou na quinta-feira, às 16h53 em Caracas (17h53 em Brasília) e em quase todos os 23 Estados da Venezuela.

O serviço foi sendo restabelecido aos poucos na capital e nos Estados de Miranda e Vargas, mas permanecia interrompido em muitas regiões, como Táchira, Zulia e Barinas. As autoridades não divulgaram um balanço da situação.

Em algumas áreas de Caracas, o serviço foi restabelecido de madrugada, mas, ao meio-dia, a energia foi novamente cortada e as comunicações voltaram a entrar em colapso.

"Não há água, luz ou comida. Não aguentamos mais", desabafou Jorge Lugo, morador do sudeste da capital.

Os hospitais viveram situações dramáticas, e os que têm gerador os usam apenas para emergências. A oposição denunciou dezenas de mortes em razão do corte de energia, o que o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, qualificou como "falso".

Organizações não governamentais denunciaram que a falta de fornecimento de energia e o mal funcionamento, ou a falta de geradores de emergência em hospitais públicos, provocaram, na sexta-feira, as mortes de um recém-nascido e de um adolescente de 15 anos em Caracas. /AFP, EFE e REUTERS

Estadão
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