França não pretende aderir a Conselho de Paz de Trump, diz mídia
'Princípios da iniciativa vão além de Gaza', disseram fontes de Paris
A França não pretende aderir, no momento, ao Conselho de Paz para a Faixa de Gaza proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por "colocar em dúvida questões importantes" ligadas às Nações Unidas.
A informação foi publicada nesta segunda-feira (19) pela AFP, citando fontes próximas ao presidente francês, Emmanuel Macron.
A negativa de Paris sobre a proposta, feita a diversos líderes mundiais, deve-se à "carta de princípios dessa iniciativa", que segundo as fontes, "vai além do âmbito restrito de Gaza, contrariando as expectativas iniciais".
"Ela [a carta-convite] coloca em dúvida questões importantes, em particular, o respeito pelos princípios e pela estrutura das Nações Unidas, que não podem ser questionados em hipótese alguma", alertaram as fontes em Paris.
O chamado "Conselho de Paz" de Trump foi concebido, inicialmente, para supervisionar a reconstrução de Gaza, mas a minuta do "estatuto" não menciona de forma explícita o território palestino, trazendo um objetivo mais amplo: o de contribuir para a resolução de conflitos armados em todo o mundo.
Ainda de acordo com a AFP, o Canadá avisou que "não irá pagar" para fazer parte de forma permanente do Conselho Executivo da proposta, cujo valor exigido seria de US$ 1 bilhão.
"O Canadá não pagará por um assento no conselho, nem isso nos foi solicitado no momento", revelou uma fonte do governo à agência de notícias.
O primeiro-ministro do país, Mark Carney, foi convidado por Trump para ocupar uma vaga inicial no Conselho Executivo, com duração de três anos. O premiê indicou que aceitaria a oferta.
Já os membros que queiram garantir uma cadeira definitiva teriam de pagar a taxa bilionária.
O convite também foi enviado à primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, que se demonstrou pronta a integrar a iniciativa; ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda avalia a indicação, assim como a seu homólogo russo, Vladimir Putin. Já o chefe de Estado argentino, Javier Milei, afirmou "ser uma honra" ter sido lembrado como convidado.