Fogo israelense deixa 11 mortos, incluindo jornalistas, dizem autoridades de saúde em Gaza
Um ataque israelense matou 11 palestinos, incluindo dois meninos e três jornalistas, em Gaza nesta quarta-feira, disseram médicos locais. As Forças Armadas israelenses afirmaram ter "eliminado" um militante palestino que representava uma ameaça para os soldados.
No mais recente episódio de violência que abala um frágil cessar-fogo de três meses, autoridades de saúde palestinas disseram que um ataque aéreo israelense matou três jornalistas palestinos que viajavam de carro na região central da Faixa de Gaza.
Os três estavam em uma missão patrocinada pelo Comitê Egípcio, que supervisiona o trabalho humanitário do Egito em Gaza, para filmar acampamentos de barracas construídos pelo Egito para palestinos deslocados, disseram outros jornalistas locais à Reuters.
Uma fonte de segurança egípcia confirmou que o veículo pertencia ao comitê, mas não deu mais detalhes. As Forças Armadas israelenses não responderam imediatamente a um pedido de comentário.
Israel e o Hamas têm trocado culpas por muitas violações do cessar-fogo de outubro, após dois anos de guerra que devastou Gaza e causou um desastre humanitário, e continuam em desacordo sobre os próximos passos do plano de paz de 20 pontos do presidente dos EUA, Donald Trump.
Mais cedo nesta quarta-feira, médicos palestinos disseram que três pessoas, incluindo um menino de 10 anos, foram mortas como resultado de bombardeios de tanques israelenses a leste de Deir Al-Balah, na região central da Faixa de Gaza. Outras duas pessoas, um menino de 13 anos e uma mulher, foram mortos em dois incidentes separados de tiroteio israelense no leste de Khan Younis, no sul de Gaza, segundo eles.
Outros três palestinos foram mortos em tiroteios em diferentes pontos do enclave costeiro, elevando o número de mortos na quarta-feira para pelo menos 11, informou o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, controlado pelo Hamas.
Moradores disseram que os dois incidentes ocorreram em áreas controladas pelos palestinos. O cessar-fogo levou a uma retirada militar israelense parcial, deixando as forças israelenses com cerca de 53% do enclave, mas elas têm expandido gradualmente sua presença nas últimas semanas, levando a um maior deslocamento de famílias palestinas, contaram moradores à Reuters.
Os militares israelenses não responderam imediatamente a pedidos de comentários sobre os dois incidentes.
PLANO DE TRUMP ENFRENTA DIFICULDADES
O acordo de outubro, mediado pelos EUA, não avançou além da primeira fase do cessar-fogo, na qual os principais combates cessaram, algumas forças israelenses recuaram e o Hamas libertou reféns em troca de detentos palestinos e prisioneiros condenados.
Nas fases futuras, cujos detalhes ainda precisam ser definidos, o Hamas deve se desarmar, as forças israelenses devem se retirar ainda mais e uma administração com apoio internacional deve ser instalada para reconstruir o território devastado e densamente povoado.
Mas nenhum cronograma foi estabelecido para a implementação do plano.
Na quinta-feira, Trump deve presidir uma cerimônia em homenagem ao Conselho da Paz, um grupo que ele formou com o objetivo declarado de reconstruir o enclave costeiro.