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EXCLUSIVO-Operações para destruir estradas ilegais na Amazônia colombiana estão paralisadas

27 mai 2024 - 13h27
(atualizado às 14h24)
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As ações da Colômbia para destruir estradas ilegais dentro e ao redor da floresta amazônica colombiana estão paralisadas, segundo oito fontes ouvidas pelas Reuters, com uma operação totalmente suspensa devido a preocupações de que poderia atrasar as negociações de paz entre do governo do presidente Gustavo Petro com rebeldes.

A construção de estradas nas florestas tropicais na Colômbia por comunidades rurais, pecuaristas e grupos armados ilegais é uma das principais causas do desmatamento no país, segundo especialistas ambientais e cientistas. Isso é especialmente crítico na Amazônia, que absorve enormes quantidades de carbono e já é um foco global de preocupação.

Há pelo menos 12 estradas ilegais dentro e ao redor do Parque Nacional de Chiribiquete -- um patrimônio mundial da Unesco na Amazônia colombiana. Mas não há operações conhecidas em andamento para destruí-las, disse à Reuters o procurador ambiental Gustavo Guerrero, apesar das promessas de Petro de proteger o meio ambiente.

A Reuters falou, sob condição de anonimato, com as fontes, que detalharam como uma operação do governo para demolir uma estrada que corta Chiribiquete foi interrompida e várias outras operações planejadas não foram iniciadas.

Os planos paralisados e suspensos não haviam sido relatados anteriormente.

Petro fez da proteção do meio ambiente o foco de seus discursos no país e no exterior, e seu governo comemorou uma redução de 29% no desmatamento em 2022.

Os atrasos podem levar a ações disciplinares contra funcionários públicos por não protegerem o meio ambiente, disse a Procuradoria, um órgão de controle público independente.

"Nem o presidente Gustavo Petro, nem a Presidência da República, nem qualquer entidade ou funcionário do Governo Nacional impediram o desmantelamento da rodovia Yari Yaguará, na Amazônia colombiana", afirmou o gabinete do presidente em comunicado, referindo-se a uma das rotas indicadas pelas fontes.

A estrada também não foi discutida em conversas de paz com a guerrilha Estado Maior Central (EMC), disse o comunicado, acrescentando que o processo de destruição da estrada está avançando de acordo com as exigências legais.

Em comentários à Reuters, a ministra do Meio Ambiente, Susana Muhamad, enfatizou que as operações de destruição de estradas fazem parte de uma estratégia abrangente que inclui esforços de paz, direitos humanos e a luta contra o desmatamento.

"As operações e seu planejamento continuam na luta contra o desmatamento e os crimes ambientais", disse Muhamad em uma mensagem de texto.

O Ministério da Defesa não respondeu a um pedido de comentário.

Seis pessoas familiarizadas com o assunto disseram que a operação para destruir uma estrada que corta Chiribiquete estava pronta para ir adiante em dezembro passado. A operação não avançou depois que os militares expressaram preocupação com possíveis confrontos com os moradores locais e com as questões mais amplas do governo sobre o retrocesso das negociações de paz já difíceis com os rebeldes do EMC que operam na área, disseram as fontes.

Os rebeldes do EMC consolidaram o controle em partes do país, levando ao que alguns chamam de "pseudo-Estado", onde o governo colombiano tem pouca influência. Um cessar-fogo já foi cancelado em algumas províncias.

Duas fontes disseram que uma operação para destruir a estrada também estava planejada para janeiro, enquanto outra disse que já havia planos para lidar com todas as estradas ilegais.

Não está claro se Petro ou o Ministério da Defesa bloquearam a operação.

"É como uma doença que continua se espalhando", disse uma das fontes, referindo-se à falta de ação em relação às estradas ilegais e aos danos ambientais que elas causam ao aumentar o acesso a florestas antes inacessíveis.

"FALHA EVIDENTE"

No ano passado, a Procuradoria exigiu que o Ministério do Meio Ambiente destruísse outra estrada ilegal perto de Chiribiquete, sem resultados.

"Não temos conhecimento de nenhuma operação para fechar ou desativar qualquer estrada ilegal na Amazônia", disse Guerrero em uma entrevista. "Há uma falha evidente na execução de medidas preventivas e de precaução para essas estradas."

A polícia planeja destruir a estrada destacada pela Procuradoria, mas ainda não tomou providências, disse uma das fontes.

Guerrero disse que seu gabinete iniciou uma investigação disciplinar sobre a falta de progresso geral do governo. O gabinete do procurador tem o poder de sancionar autoridades, incluindo ministros do governo, e removê-los de seus cargos.

O governo espera registrar outra queda no desmatamento em 2023, mas a ministra Muhamad alertou em abril que a destruição aumentaria em 2024 em meio a uma seca prolongada.

Mesmo que o governo de Petro tenha um bom motivo para cancelar as operações, a falta de ação em relação às estradas ilegais contradiz suas promessas de lidar com o desmatamento, disse uma das fontes.

"No fim das contas, eles não estão agindo. Algo precisa ser feito", disse.

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