EXCLUSIVO-JD Vance diz que Irã precisa reduzir enriquecimento de urânio para pôr fim à guerra
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que o Irã deve reduzir significativamente sua capacidade de enriquecimento de urânio para encerrar a guerra de sete meses entre os dois países. Vance exige ações concretas imediatas em vez de promessas futuras, além de apontar incertezas sobre a liderança decisória de Teerã. O conflito, que custa US$ 3 bilhões mensais aos EUA e impacta o mercado global de energia, pressiona politicamente o governo Trump às vésperas das eleições de meio de mandato.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou em entrevista exclusiva à Reuters que o Irã precisa fazer uma redução "significativa" em sua capacidade de enriquecimento nuclear para atender às exigências dos EUA e pôr fim à guerra de sete meses entre os dois países, mesmo que Washington não tenha certeza de como Teerã toma suas decisões nas negociações.
Vance, que há muito tempo se mostra cético em relação ao envolvimento dos EUA em guerras no exterior, assumiu um papel de liderança nas negociações para um acordo que ponha fim ao conflito e mediou um acordo de paz provisório em setembro, que rapidamente fracassou. A guerra abalou os mercados globais de energia e se tornou um fardo político para o presidente Donald Trump e seus pares republicanos às vésperas das eleições de meio de mandato de novembro.
Após uma viagem de campanha no Alasca, Vance disse na segunda-feira que qualquer acordo exigiria que o Irã reduzisse sua capacidade de enriquecimento nuclear, em vez de oferecer garantias de futuras reduções do programa nuclear.
"Se você não quer uma arma nuclear, então por que precisa de combustível enriquecido a 60%? E se você quer demonstrar compromisso em não fabricar uma arma nuclear, não produza combustível altamente enriquecido. Essa é uma questão fundamental", disse Vance.
"Acho que, se quiserem demonstrar compromisso em não fabricar uma arma nuclear, eles fariam algo significativo em relação à sua capacidade de enriquecimento."
O Irã e os EUA trocaram propostas nas últimas semanas com o objetivo de pôr fim à guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte global de energia. Trump rejeitou a última oferta de Teerã e alertou que as operações militares poderiam se intensificar após as eleições de meio de mandato.
Vance disse que os EUA continuam abertos a um acordo, mas exigirão concessões concretas do Irã em relação ao programa nuclear.
"Não vamos trocar palavras por ações", disse Vance.
"NÃO ESTÁ CLARO COMO O IRÃ TOMA SUAS DECISÕES", DIZ VANCE
Para complicar ainda mais a situação, Vance disse que Washington não tem certeza de quem toma as decisões em Teerã.
Vance disse que os EUA estavam em negociações com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi. Mas não ficou claro quanta autoridade eles exercem dentro da estrutura de poder do Irã, disse ele, depois que ataques conjuntos dos EUA e de Israel no início da guerra mataram o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.
"Uma das coisas que percebemos é que não está totalmente claro como o país toma decisões", disse Vance. Trump foi na mesma linha nesta terça-feira, ao afirmar que seu "maior problema" é que ninguém sabe quem está no comando do Irã.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse no domingo que as autoridades norte-americanas sabem muito bem quem são suas contrapartes iranianas e como funciona o sistema de tomada de decisões do Irã.
"O problema, na verdade, é o contrário: reside nas posições contraditórias e nas mensagens confusas das autoridades americanas", disse Esmaeil Baghaei em uma coletiva de imprensa semanal.
Vance disse à Reuters que manteve conversas pessoais com comandantes de campo para avaliar as condições no campo de batalha. Ele descartou as preocupações com a escassez crítica de munições e acrescentou que, embora as tropas iranianas consigam, periodicamente, atacar navios comerciais no Estreito de Ormuz, elas são, em grande parte, incapazes de impedir as exportações de energia por essa via navegável.
A guerra — e seu preço mensal de US$3 bilhões — tornou-se uma questão central na campanha eleitoral. Os preços mais altos da energia colocaram Trump e os republicanos na defensiva em Estados disputados que decidirão o controle do Congresso.
Vance tem procurado amenizar as críticas à forma como Trump tem lidado com o conflito, dizendo aos eleitores que não devem deixar que essa questão os impeça de apoiar os republicanos nas eleições do próximo mês.
No Alasca, Vance fez campanha pelo senador republicano Dan Sullivan, que está em uma disputa acirrada pela reeleição contra a candidata democrata Mary Peltola. Trump venceu no Alasca por 13 pontos percentuais em 2024, mas o aumento dos custos de vida colocou o Estado em jogo.
Antes de falar com a Reuters, Vance dedicou grande parte de seu discurso às preocupações com os custos, especialmente no setor de energia. A localização remota do Alasca encarece os bens de consumo, e a produção de energia é um setor-chave.
Os participantes do comício aplaudiram estrondosamente quando Sullivan quase apresentou Vance como presidente dos EUA, em vez de vice-presidente. Vance é visto como um dos principais candidatos republicanos para suceder Trump na Casa Branca.
Vance disse à Reuters posteriormente que ainda não havia decidido se concorreria à Presidência em 2028.
"Sou, por natureza, um procrastinador", disse ele. "Na verdade, ainda não pensei muito nisso."
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