Ex-líder de gangue saiu "à caça" de Tupac após espancamento de sobrinho, diz promotor
O ex-líder de gangue Duane Davis está em julgamento pelo assassinato de Tupac Shakur, ocorrido em 1996. Segundo a promotoria, ele organizou o ataque e forneceu a arma para vingar o espancamento de seu sobrinho pelo rapper. A acusação apoia-se em declarações e memórias do próprio réu, que se declara inocente. Em contrapartida, a defesa afirma que tais relatos são meras bravatas sem comprovação física, questionando a validade das provas contra Davis.
Enfurecido com o espancamento de seu sobrinho, um ex-líder de gangue liderou um grupo de homens que perseguiu e matou Tupac Shakur, disse um promotor nesta segunda-feira a jurados durante suas alegações finais no julgamento do assassinato da lenda do hip-hop.
Duane "Keffe D" Davis, de 63 anos, é alvo no condado de Clark, em Nevada, de uma única acusação de assassinato com uso de arma letal e se declarou inocente. Seu julgamento, que entra na terceira semana, é o ápice do emblemático caso sobre a violência que permeava a cultura do rap dos anos 1990, que se arrastou na Justiça por décadas.
Binu Palal, do Ministério Público do Condado de Clark, disse aos jurados que Davis queria vingança após Shakur espancar seu sobrinho em um cassino em 7 de setembro de 1996.
"Então, o que ele fez? Ele adquiriu uma arma de fogo, reuniu seu grupo e saiu à caça do Sr. Shakur", disse Palal.
A polícia suspeitava de Davis, mas não tinha provas suficientes para indiciá-lo até que ele tornou sua história pública em aparições na mídia e em um livro de memórias, que, juntamente com gravações de suas reuniões secretas com investigadores, constituem a maior parte do caso da acusação.
O advogado de Davis fará sua argumentação final após os promotores.
Ele disse aos jurados, durante as alegações iniciais, que as palavras de seu cliente eram mera bravata e não podiam ser comprovadas. Ele também afirmou que não há provas concretas para sustentar a alegação de Davis ou mesmo provar que ele estava em Las Vegas no momento do assassinato.
Nas últimas duas semanas, os promotores reproduziram horas de gravações para os jurados, nas quais ele dizia estar furioso depois que Shakur e sua comitiva espancaram o sobrinho de Davis.
Davis e outros três homens, incluindo seu sobrinho, saíram à procura de Shakur e do executivo da gravadora Marion "Suge" Knight em um Cadillac branco na noite do espancamento, disse ele à polícia durante uma investigação não relacionada ao caso. Davis afirmou que passou uma arma para o banco de trás e, quando encontraram o carro de Knight e Shakur, um dos dois homens no banco de trás abriu fogo.
Os promotores não identificaram o atirador, e os outros três homens no carro já faleceram. De acordo com a lei de Nevada, Davis pode ser acusado de homicídio mesmo que não tenha puxado o gatilho.
Davis era líder dos South Side Compton Crips, gangue de rua da região de Los Angeles que mantinha rivalidade com a gangue rival Mob Piru, associada a Shakur e à sua gravadora, a Death Row Records.
O assassinato de Shakur, em 1996, tornou-se um momento marcante na história do rap e reforçou a imagem violenta da cultura hip-hop durante o apogeu do rap "gangsta", era marcada pela rivalidade entre artistas da Costa Leste e da Costa Oeste.
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