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União Europeia reage aos quatro anos de guerra com demonstrações firmes de apoio à Ucrânia

Enquanto Bruxelas reforça o apoio público a Kiev, os vetos da Hungria e a decisão da Eslováquia de reduzir o fornecimento emergencial de eletricidade, que ajudava a cobrir déficits críticos na infraestrutura ucraniana durante ataques russos, expõem fissuras internas no bloco europeu. Essas tensões, porém, não abalam a convicção da maioria dos países da UE, que, ao lado do Reino Unido, buscam impedir que Vladimir Putin avance em sua visão imperialista de expansão no continente.

24 fev 2026 - 06h03
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Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas

Em Bruxelas, os edifícios que sediam o Conselho Europeu de líderes (à esquerda) e a Comissão Europeia (à direita) passaram a noite iluminados com as cores da bandeira nacional da Ucrânia. 24 de fevereiro de 2026
Em Bruxelas, os edifícios que sediam o Conselho Europeu de líderes (à esquerda) e a Comissão Europeia (à direita) passaram a noite iluminados com as cores da bandeira nacional da Ucrânia. 24 de fevereiro de 2026
Foto: AFP - JOHN THYS / RFI

Os prédios do Parlamento Europeu, do Conselho e da Comissão Europeia passaram a noite iluminados com as cores azul e amarela em mais um sinal de apoio do maior parceiro ucraniano neste conflito. Desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro de 2022, a União Europeia se consolidou como um dos principais pilares de suporte ao governo ucraniano, oferecendo assistência financeira e política.

Em Bruxelas, a data é lembrada com atos oficiais. No Parlamento Europeu, eurodeputados promovem uma sessão extraordinária com participação por vídeo do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Em Kiev, Zelenky se encontra pessoalmente com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, para uma cerimônia oficial e visita às infraestruturas atacadas pelos russos.

Apesar do apoio público, o clima nos bastidores da União Europeia é de apreensão. Um veto duplo da Hungria impediu a aprovação de um novo pacote de sanções contra Moscou e bloqueou um empréstimo bilionário destinado à Ucrânia.

Já é comum nas cúpulas do Conselho que o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, não assine declarações conjuntas e medidas relacionadas à guerra, mas nunca havia estabelecido um veto como o de agora. O novo pacote da União Europeia previa € 90 bilhões em empréstimos para a Ucrânia nos próximos dois anos. Orbán havia concordado com o repasse em dezembro, sob a condição de que a ajuda não afetasse os orçamentos da República Tcheca, Hungria e Eslováquia. A situação mudou depois que Hungria e Eslováquia acusaram Kiev de atrasar reparos em um oleoduto responsável pelo transporte de petróleo russo para os dois países, reabrindo um flanco sensível para governos que mantêm laços políticos e energéticos mais próximos de Moscou do que a média da UE. No caso de Orbán, o premiê húngaro tem um histórico de travar sanções e de manter encontros públicos com Vladimir Putin, enquanto Robert Fico é um defensor de "relações normais" com a Rússia e crítico do apoio militar a Kiev.

Esse fornecimento de petróleo é constantemente motivo de discordância nas reuniões em Bruxelas e o episódio do oleoduto acirrou as divergências. Kiev argumenta que a infraestrutura foi danificada por ataques russos e que está em reparo. As principais lideranças europeias, incluindo a chefe da diplomacia, Kaja Kallas, se manifestaram contra o veto. Kallas disse que nenhum Estado-membro pode ser autorizado a minar a credibilidade das decisões tomadas coletivamente pelo Conselho Europeu. Está prevista uma reunião de emergência sobre o assunto para esta quarta-feira.

Eslováquia suspende eletricidade de emergência

Em outro desdobramento da crise, a Eslováquia anunciou a interrupção do fornecimento de eletricidade de emergência à Ucrânia. O primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, justificou a medida devido à disputa sobre o oleoduto e afirmou que a ajuda só será retomada quando o fluxo de petróleo for restaurado.

Essa decisão ocorre em um período crítico: é inverno na Europa, e o acesso à rede de energia é essencial para que a população ucraniana se aqueça. Com as baixas temperaturas e os constantes ataques russos à infraestrutura, este já é considerado o pior inverno da história da Ucrânia.

O apoio financeiro da União Europeia se tornou ainda mais crucial diante da redução de recursos diretos dos Estados Unidos. Desde o início da guerra, o bloco europeu forneceu € 195 bilhões em assistência à Ucrânia.

O novo pacote de € 90 bilhões não resolve todos os problemas, mas cria a base para a estabilidade financeira da Ucrânia, enquanto os Estados Unidos não fornecem mais recursos financeiros diretos a Kiev. Mesmo assim, os norte-americanos continuam essenciais no compartilhamento de informações e na venda de certos tipos de armamentos, inclusive para a Europa.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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