Startup francesa Mistral quer enfrentar gigantes americanos e chineses com novo modelo de IA
A empresa francesa de inteligência artificial Mistral anunciou nesta terça-feira (6) seu novo modelo de IA, com o qual espera voltar à disputa com os principais concorrentes do setor, responsáveis por sistemas como ChatGPT, Claude e DeepSeek. Batizado de Mistral Large 4 (ML4) e apelidado de "Chonk", o modelo pertence à categoria conhecida como open weight, o que significa que seus parâmetros e sua arquitetura serão tornados públicos.
A startup francesa Mistral anunciou o ML4, novo modelo de IA com um trilhão de parâmetros que processa textos e imagens em mais de 160 idiomas. Projetado para rivalizar com líderes dos EUA e da China, o sistema destaca-se pelo desempenho superior à média e pelo foco em cibersegurança para empresas e governos. Avaliada em mais de 21 bilhões de euros, a empresa aposta em custos competitivos e autonomia tecnológica frente aos modelos fechados, com liberação pública prevista para 27 de outubro.
A aposta deve dar impulso à startup francesa para manter espaço em uma corrida global pela inteligência artificial cada vez mais competitiva e custosa. Atualmente, os modelos de IA mais avançados do mundo são americanos ou chineses, tanto os chamados modelos abertos, gratuitos, baixáveis e modificáveis, quanto os fechados, como os desenvolvidos por Anthropic, OpenAI e Google.
Em comunicado, a Mistral afirma que seu novo sistema está "entre os melhores" de sua categoria em termos de desempenho. Por enquanto, o modelo pode ser testado na plataforma Mistral Studio. A publicação de seus parâmetros está prevista para 27 de outubro.
Até lá, a empresa afirma que trabalhará em conjunto com desenvolvedores, especialistas em cibersegurança e autoridades públicas para avaliar com mais detalhes as capacidades e o comportamento do modelo em condições reais.
"Este exigiu muito trabalho preparatório. Foi treinado e implantado em nossa própria infraestrutura computacional, e o aprendizado por reforço não mostra sinais de esgotamento", escreveu o diretor da empresa, Arthur Mensch, na rede social X.
Desenvolvido na Europa, o ML4 é capaz de analisar textos e imagens. Segundo a empresa, possui um trilhão de parâmetros, foi treinado durante dois meses em centros de dados europeus da Mistral e opera em mais de 160 idiomas.
A ministra francesa encarregada da área digital, Anne Le Hénanff, elogiou o lançamento no X, classificando-o como "uma nova demonstração do que o ecossistema francês de IA é capaz de fazer".
"Orgulhosa de ver a inovação francesa continuar avançando e desempenhando um papel relevante na corrida global", acrescentou.
Foco em cibersegurança
Fundada em 2023, a Mistral destaca especialmente as capacidades do ML4 em cibersegurança. Segundo o cofundador Guillaume Lample, o modelo poderá ajudar empresas e governos a se defenderem de agentes mal-intencionados que contornam as proteções de sistemas fechados para conduzir ataques cibernéticos.
Em comunicado, a empresa afirma que organizações públicas e privadas "não deveriam depender de fornecedores de modelos fechados que possam desativar arbitrariamente suas capacidades de defesa cibernética".
A companhia sustenta ainda que o ML4 está na vanguarda entre os modelos open weight em áreas como ciberdefesa e tarefas voltadas para os setores industrial e financeiro. Resultados preliminares divulgados pela empresa indicam que o modelo ainda pode evoluir em diversos aspectos.
Segundo o site independente Artificial Analysis, a versão de pré-lançamento do Mistral Large 4 apresenta desempenho acima da média de mercado. O modelo obteve nota 38 em seu índice de referência, contra um índice médio de 26. A ferramenta também apresenta velocidade de geração superior à média do setor e custo de utilização considerado competitivo em comparação com modelos de desempenho semelhante.
O anúncio ocorre menos de um mês após uma rodada de captação de recursos de € 3 bilhões, que avaliou a Mistral em mais de € 21 bilhões.
Apesar disso, a startup francesa continua muito menor do que os gigantes americanos do setor. A OpenAI, criadora do ChatGPT, por exemplo, levantou US$ 122 bilhões no início do ano.
Tanto a OpenAI quanto outras empresas líderes também apresentaram recentemente modelos tão poderosos que suas versões destinadas ao público precisaram ter algumas capacidades limitadas por razões de segurança.
Com AFP
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