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Grécia cobra devolução dos mármores do Partenon para avançar relações entre UE e Reino Unido

Durante uma conferência realizada em Atenas nesta terça-feira (6), o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, voltou a pressionar Londres sobre a devolução dos mármores do Partenon, uma das mais antigas disputas do patrimônio cultural europeu. Peças do monumento mais famoso da Antiguidade estão preservadas há mais de 200 anos no Museu Britânico (British Museum).

6 out 2026 - 15h08
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Resumo
A Grécia condicionou o avanço das relações entre a União Europeia e o Reino Unido à devolução dos mármores do Partenon, hoje no Museu Britânico. O premiê grego, Kyriakos Mitsotakis, prometeu intensificar a cobrança junto a Londres antes de assumir a presidência da UE em 2027. Enquanto Atenas rejeita empréstimos por considerar as peças saqueadas, o governo britânico alega posse legal e afirma que a decisão cabe ao museu, que enfrenta restrições da legislação britânica para cedê-las em definitivo.

O Museu Britânico abriga parte dos frisos do Partenon, o célebre templo da Acrópole de Atenas, porém a Grécia sustenta que as esculturas foram "saqueadas" em 1802 por Thomas Bruce, conhecido como Lord Elgin, então embaixador britânico junto ao Império Otomano. O Reino Unido, por sua vez, afirma que as peças foram "adquiridas legalmente" por Elgin antes de serem vendidas ao Museu Britânico. 

O primeiro-ministro grego, cujo país assumirá a presidência rotativa da União Europeia no segundo semestre de 2027, quer recolocar o tema no centro das discussões com Londres. Os mármores do Partenon "farão parte desse debate", afirmou Kyriakos Mitsotakis.  

Segundo Mitsotakis, não haverá avanços nas relações entre a União Europeia e o Reino Unido enquanto a questão dos mármores do Partenon permanecer sem solução. "Não é apenas uma questão para a Grécia, é uma questão para a Europa", afirmou. 

O Partenon é um templo com mais de 2.500 anos, símbolo da Grécia, que se ergue sobre a colina da Acrópole, em Atenas.
O Partenon é um templo com mais de 2.500 anos, símbolo da Grécia, que se ergue sobre a colina da Acrópole, em Atenas.
Foto: RFI

Negociações com Museu Britânico não avançaram

O chefe do governo grego disse que pretende intensificar as reivindicações junto a Londres, já que as negociações com o Museu Britânico, mantidas há anos, "não avançaram". 

Há muito tempo, Atenas propõe ao Museu Britânico o empréstimo temporário de outros tesouros arqueológicos que nunca deixaram o país, em troca da devolução dos mármores do Partenon.  

"Poderíamos oferecer ao Museu Britânico uma parceria cultural única", declarou Mitsotakis, acrescentando que defenderá com "muito vigor" a diplomacia cultural junto ao novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, que substituiu Keir Starmer em Downing Street em julho. Burnham reiterou em agosto a posição tradicional do governo britânico ao afirmar ao jornal Financial Times que a questão cabe ao Museu Britânico. 

Os poderes da instituição, porém, são limitados por uma lei de 1963, que proíbe a venda ou cessão permanente de suas coleções. Uma devolução definitiva dos mármores exigiria, portanto, uma decisão do Parlamento britânico. 

Atenas promete intensificar campanha pela devolução 

Em um artigo publicado em 24 de setembro pelo jornal britânico The Guardian, Mitsotakis citou o exemplo da Tapeçaria de Bayeux, emprestada pela França para retornar temporariamente ao seu local de origem, para destacar a situação diferente das esculturas do Partenon. 

Segundo ele, as obras devem ser transferidas para o Museu da Acrópole, inaugurado em 2009 e equipado com um espaço especialmente dedicado aos mármores. 

"A Grécia não pode aceitar nenhum acordo que a obrigue a reconhecer a propriedade das esculturas pelo Museu Britânico, nem um mecanismo que implique que estejamos 'emprestando' partes do nosso próprio monumento", escreveu na ocasião. 

O jornal britânico Daily Telegraph informou também em setembro que a parte grega havia abandonado as negociações conduzidas há anos, frustrada com a "falta de progresso". 

Um porta-voz do Museu Britânico não confirmou a informação e declarou à AFP que a instituição continua aberta a um acordo.

Com agências

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