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Governo francês avalia cortar salários de ministros para ajudar a equilibrar orçamento

Em plena fase de elaboração do orçamento para 2027 e com o objetivo de economizar € 30 bilhões no próximo ano, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, propôs uma medida que divide opiniões: reduzir a remuneração dos ministros e de seus assessores. Para uns, trata-se de um gesto de exemplo; para outros, de uma iniciativa demagógica.

10 set 2026 - 11h40
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Resumo
Para equilibrar o orçamento do Estado, o governo francês estuda cortar em cerca de 10% os salários de ministros e assessores. A proposta, que visa gerar economia em meio à meta de cortar bilhões de euros até 2027, divide opiniões internas: enquanto é apoiada oficialmente, críticos a classificam como uma medida meramente demagógica e simbólica, temendo a debandada de profissionais para a iniciativa privada frente às remunerações mais atrativas pagas por outros países europeus.

A proposta partiu do próprio Sébastien Lecornu, com o objetivo de gerar economia para o Estado. A dimensão do corte ainda não foi definida, mas pode ficar em torno de 10%. A medida também deverá afetar os assessores ministeriais. Atualmente, o chefe de governo recebe um salário bruto de € 16 mil (cerca de R$ 102,4 mil) por mês, enquanto os ministros recebem € 10,7 mil (R$ 68,48 mil).

Imagem de arquivo. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu, em 11 de junho de 2026, durante uma coletiva de imprensa no Hôtel des Invalides, em Paris.
Imagem de arquivo. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu, em 11 de junho de 2026, durante uma coletiva de imprensa no Hôtel des Invalides, em Paris.
Foto: © AFP - STEPHANE DE SAKUTIN / RFI

Os integrantes do governo foram informados da proposta na manhã de quarta-feira (9) e, oficialmente, apoiam a medida. "Se uma decisão for tomada, todos nós, obviamente, a seguiremos. O que importa, de fato, é que possamos apresentar um orçamento", comentou Aurore Bergé, ministra encarregada da Igualdade entre Mulheres e Homens, à rádio RMC.

Nos bastidores, porém, alguns se opõem fortemente à iniciativa. "É uma besteira, é demagogia, não trará nenhum retorno financeiro. Vamos esvaziar as equipes ministeriais; os assessores vão para o setor privado", criticou um ministro.

Para atrair os melhores perfis, outros países europeus investem mais na remuneração de seus integrantes do governo. Na Alemanha, um ministro recebe € 20 mil (R$ 128 mil) brutos por mês; na Bélgica, € 12 mil (R$ 76,8 mil). A França, por sua vez, paga mais do que a Itália (€ 9 mil brutos mensais) e a Espanha (€ 7 mil).

Uma medida simbólica

Em busca de cortes orçamentários para o próximo ano, o governo francês não descarta nenhuma possibilidade. "O risco é que a medida seja vista como algo meramente simbólico ou superficial, pois os franceses percebem claramente que a economia gerada será de algumas dezenas de milhares de euros, enquanto o governo busca € 30 bilhões no orçamento de 2027. Mas trata-se, acima de tudo, de uma medida simbólica por parte do governo", afirma Neïla Latrous, editora-chefe de política da France Télévisions.

Ao assumir o cargo, há pouco mais de um ano, Sébastien Lecornu já havia reduzido as regalias concedidas a ex-primeiros-ministros. Em janeiro passado, ele acabou com os chamados "benefícios vitalícios" atribuídos a ex-chefes de governo e ex-ministros do Interior, acabando com vantagens materiais e de segurança custeadas pelo Estado francês, como carro oficial com motorista e proteção policial permanente.

Na contramão da França, Singapura acaba de aprovar um aumento expressivo na remuneração dos membros de seu governo, com o objetivo, entre outros, de prevenir a corrupção. Eles recebem, em média, R$ 960 mil por mês.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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