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Franceses protestam contra falhas da Justiça após morte de menina de 11 anos

O caso Lyhanna é o principal destaque da imprensa francesa nesta segunda-feira (8), um dia após a homenagem à menina de 11 anos, encontrada morta na quinta-feira (4). Manifestações de protesto contra as falhas da Justiça no tratamento de denúncias de violência infantil estão previstas em toda a França.

8 jun 2026 - 12h06
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A marcha silenciosa deste domingo reuniu cerca de 6.000 pessoas na cidade rural de Fleurance, no sudoeste da França. A manchete do jornal Libération destaca uma frase pronunciada em homenagem a Lyhanna: "Dizem o tempo todo que isso nunca mais vai acontecer, e tudo recomeça".

O ministro da Justiça da França, Gérald Darmanin (ao centro), dirige-se aos promotores durante uma reunião de trabalho com os procuradores-gerais da França para solicitar-lhes uma revisão das denúncias envolvendo crianças vítimas, na sequência do caso Lyhanna, enquanto grupos feministas e de defesa da infância convocaram manifestações em frente aos tribunais do Ministério da Justiça, em Paris, em 8 de junho de 2026.
O ministro da Justiça da França, Gérald Darmanin (ao centro), dirige-se aos promotores durante uma reunião de trabalho com os procuradores-gerais da França para solicitar-lhes uma revisão das denúncias envolvendo crianças vítimas, na sequência do caso Lyhanna, enquanto grupos feministas e de defesa da infância convocaram manifestações em frente aos tribunais do Ministério da Justiça, em Paris, em 8 de junho de 2026.
Foto: AFP - BEHROUZ MEHRI / RFI

O ato foi marcado pela revolta: a tristeza se somou à indignação. Chocados, familiares e moradores denunciaram as falhas da Justiça, escreve o Libération, que faz uma análise sistêmica da falta de recursos, das deficiências da proteção à infância e da estrutura do sistema judicial.

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A menina, de 11 anos, desapareceu em 29 de maio e foi encontrada morta na última quinta-feira. Antes da tragédia, o principal suspeito, Jérôme Barella, já havia sido alvo de várias acusações de estupro e agressão sexual contra menores. No entanto, ele nunca foi ouvido pelas autoridades judiciais ou pela polícia, e nenhuma medida de precaução foi tomada para impedi-lo de cometer novos crimes.

"Para evitar novos dramas, é urgente que os recursos destinados ao combate à violência contra crianças estejam à altura das denúncias das vítimas, ignoradas ou silenciadas por tempo demais", escreve o jornal.

70 mil processos examinados até 14 de julho

O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, surpreendeu ao anunciar, no domingo, que 70 mil processos envolvendo violência sexual contra menores deverão ser examinados antes de 14 de julho. O jornal aponta que o Poder Executivo francês reconhece erros, mas transfere a responsabilidade da tragédia para a Justiça.

"É preciso um tribunal nacional dedicado à violência sexual", defende o diário, comparando a proposta às estruturas já existentes para combater o narcotráfico e o terrorismo. Os procuradores-gerais de todo o país foram convocados por Gérald Darmanin para uma reunião no Ministério da Justiça nesta segunda-feira.

Le Figaro destaca as falhas da Justiça, a responsabilidade dos magistrados e a necessidade de firmeza e punições. Na França, existe um Conselho Superior da Magistratura (CSM), cujos integrantes se reúnem quase todos os meses para investigar e julgar irregularidades. Mas o ministro da Justiça questiona a adequação das sanções aplicadas e cogita solicitar à Inspeção Geral da Justiça (IGJ) um estudo sobre o tema.

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"Perdão pelo que você viveu" é a manchete do Le Parisien, reproduzindo a fala dos pais de Lyhanna durante a marcha silenciosa de domingo. O diário faz uma reconstituição detalhada dos fatos e informa que diversos coletivos feministas e de proteção à infância convocaram manifestações nesta segunda-feira diante do Ministério da Justiça e em frente a cerca de uma centena de tribunais em todo o país. Os grupos denunciam uma "falha sistêmica das instituições". A associação Fondation des Femmes pede a adoção, na França, de "uma lei integral contra as violências sexuais cometidas contra mulheres e crianças".

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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