Doze homens vão a julgamento na Inglaterra em caso de estupro comparado ao de Gisèle Pelicot
O julgamento dos acusados do chamado "caso Pelicot britânico" tem início nesta segunda-feira (5) em Manchester, na Inglaterra. Um homem de cerca de 60 anos se declarou culpado em setembro por ter dopado e agredido sexualmente sua esposa durante mais de duas décadas, com a participação de doze outros indivíduos, em um caso que remete ao escândalo dos estupros de Mazan, no sul da França.
Em um caso comparado ao de Gisèle Pelicot, doze homens começaram a ser julgados em Manchester pelo estupro de uma mulher drogada pelo próprio marido ao longo de anos. Enquanto o cônjuge confessou 60 acusações e teve a identidade preservada para proteger a vítima, os demais acusados, com idades entre 28 e 74 anos, negam culpa. O julgamento deve durar cerca de três meses e as penas para os envolvidos podem chegar à prisão perpétua.
Sara Menai, correspondente da RFI em Londres
As semelhanças com o caso Pelicot, cujo julgamento chocou a França em 2024, começam pelo próprio modo de atuação. Estupros repetidos dentro de uma relação conjugal, submissão química, participação de outros homens e anos de abusos.
Assim como na França, com Gisèle Pelicot, em Manchester, no norte da Inglaterra, os crimes também se prolongaram por um longo período. Foram duas décadas de agressões, com estupros cometidos de 2004 a 2025. O marido da vítima também se declarou culpado de compartilhar fotografias ou filmagens íntimas de sua esposa, sem o consentimento dela.
No entanto, ao contrário do julgamento dos estupros de Mazan, realizado de forma pública a pedido de Gisèle Pelicot, que optou por abrir mão do sigilo processual, no Reino Unido a identidade do marido foi mantida em segredo para evitar que a vítima fosse identificada. A medida segue a legislação britânica de proteção às vítimas de crimes sexuais. Já a imprensa do país pôde divulgar os nomes e as fotografias dos 12 coacusados envolvidos no caso.
12 acusados
A sentença só será anunciada ao final do processo dos 12 coacusados, suspeitos de ter agredido sexualmente a vítima a partir de setembro de 2018. Assim como no caso dos estupros de Mazan, os homens têm perfis considerados "comuns", ou "ordinários", como define o jornal britânico The Guardian.
Os réus vêm de diferentes origens socioprofissionais. Têm entre 28 e 74 anos e incluem um paramédico, um DJ, um ex-gerente de empresa de táxi e um treinador esportivo.
A maioria mora nos arredores de Manchester, especialmente na região de Stockport, cidade onde o casal vivia e onde os abusos teriam ocorrido. Diferentemente do marido da vítima, que chorou ao admitir culpa pelas 60 acusações apresentadas contra ele, os 12 homens rejeitam ter responsabilidade no caso.
Três meses de debates
Os debates devem durar cerca de três meses, e o veredito é esperado para o fim de dezembro ou o início de janeiro. Trata-se de um prazo longo para os padrões da Justiça britânica, devido ao grande número de acusados. Caso sejam considerados culpados pelo júri popular, eles poderão receber penas que variam de quatro anos de prisão à prisão perpétua.
Antes do início do julgamento, nesta segunda-feira, um grupo de mulheres protestou diante do Tribunal de Manchester. Várias delas exibiam cartazes com uma das frases mais famosas de Gisèle Pelicot, "a vergonha precisa mudar de lado".
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