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'Dia D': praias do desembarque aliado na Normandia entram para lista de Patrimônio Mundial da Unesco

As praias do Desembarque da Normandia, cenário da maior operação anfíbia da história militar - o "Dia D"-, foram incluídas neste domingo (26) na lista de Patrimônio Mundial da Unesco. O reconhecimento abrange os locais onde tropas aliadas desembarcaram em 6 de junho de 1944 para iniciar a libertação da Europa ocupada pela Alemanha nazista. A decisão encerra um processo iniciado há quase duas décadas e reforça a preservação de uma das áreas mais simbólicas da Segunda Guerra Mundial.

26 jul 2026 - 05h34
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O reconhecimento abrange uma faixa de mais de 80 quilômetros do litoral francês entre os departamentos de Manche e Calvados, no noroeste do país. Foi nessa costa que mais de 150 mil soldados aliados, principalmente norte-americanos, britânicos e canadenses, desembarcaram ao amanhecer de 6 de junho de 1944, na maior operação anfíbia da história. Mais de 4.000 militares morreram apenas naquele primeiro dia de combate. 

Desembarque de tropas norte-americanas na praia de Omaha, na Normandia, em 6 de junho de 1944.
Desembarque de tropas norte-americanas na praia de Omaha, na Normandia, em 6 de junho de 1944.
Foto: © HO/National Archives/AFP / RFI

Ao justificar a decisão, especialistas do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), órgão consultivo da Unesco, ressaltaram que esses locais estão "direta e materialmente associados" a uma operação que teve papel decisivo na libertação da Europa Ocidental. Segundo a entidade, o conjunto também simboliza o sacrifício humano realizado para derrotar um regime autoritário que havia se consolidado em grande parte do continente europeu. 

A área protegida inclui os cinco setores do desembarque, conhecidos pelos nomes de código Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword. Também foram incorporados ao sítio a Pointe du Hoc, onde ocorreram alguns dos combates mais intensos do Dia D; a posição de artilharia alemã de Longues-sur-Mer; e o porto artificial de Arromanches-les-Bains, conhecido como Port Mulberry, construído com enormes estruturas de concreto produzidas na Inglaterra para garantir o abastecimento das tropas após a invasão. Cemitérios militares e memoriais erguidos nas décadas seguintes também fazem parte do conjunto reconhecido. 

Candidatura apresentada em 2018

A candidatura foi apresentada pela França à Unesco em 2018, mas permaneceu vários anos sem avançar antes de ser retomada com um dossiê atualizado. A aprovação ocorreu durante a reunião do Comitê do Patrimônio Mundial realizada em Busan, na Coreia do Sul, encerrando um processo que mobilizou autoridades locais e especialistas em preservação histórica ao longo de quase duas décadas. 

Ao comentar a decisão, o presidente da região francesa da Normandia (norte), Hervé Morin, afirmou que o reconhecimento representa também uma responsabilidade. Segundo ele, a inscrição obriga as autoridades a conservar, proteger e valorizar ainda mais esses locais, cuja importância ultrapassa as fronteiras francesas e integra a memória coletiva de diversos países envolvidos na guerra.

A inscrição na lista da Unesco não tem apenas valor simbólico. O selo é concedido a locais considerados de "valor universal excepcional" e impõe aos governos o compromisso de garantir sua preservação para as gerações futuras. Com a decisão deste domingo, as praias do Dia D passam a integrar o grupo de grandes patrimônios franceses já reconhecidos pela organização, ao lado do Mont-Saint-Michel, da Catedral de Chartres e do Palácio de Versalhes. 

Cenário de uma operação decisiva

Em 6 de junho de 1944, mais de 150 mil soldados aliados atravessaram o Canal da Mancha e desembarcaram na costa da Normandia na maior operação anfíbia já realizada. Somente naquele dia, mais de 4 mil militares morreram durante os combates. A operação marcou o início da ofensiva que levaria à derrota da Alemanha nazista menos de um ano depois. 

As praias da Normandia se transformaram ao longo das décadas em alguns dos principais locais de memória da Segunda Guerra Mundial. Todos os anos, veteranos, chefes de Estado, estudantes e turistas participam de cerimônias e visitas organizadas para lembrar os acontecimentos do "Dia D".

Para a Unesco, a inscrição reconhece lugares que possuem "valor universal excepcional", uma classificação reservada a sítios considerados de relevância para toda a humanidade e que passam a receber proteção reforçada.

Preservação e turismo

O projeto de reconhecimento internacional foi defendido durante anos pela região da Normandia. Para seus promotores, o objetivo principal era garantir a preservação dos locais associados ao desembarque aliado e transmitir às novas gerações a memória dos acontecimentos de 1944. 

Além de seu significado histórico, a região representa um importante polo turístico. Os diferentes sítios ligados ao "Dia D" recebem cerca de 1,8 milhão de visitantes por ano, dos quais mais de um terço vem do exterior, especialmente do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Alemanha. 

Segundo estimativas citadas pelas autoridades regionais, essa atividade movimenta centenas de milhões de euros e sustenta milhares de empregos na Normandia. 

Com AFP

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