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Bruxelas mantém cautela após acordo entre Estados Unidos e Irã

Bloco europeu teme efeitos prolongados do conflito e acompanha tensão na Otan em meio a novas críticas de Trump. A União Europeia reagiu com cautela ao acordo de cessar-fogo de duas semanas firmado entre Estados Unidos e Irã. Sem participação direta nas negociações, os líderes europeus evitam tratar o anúncio como conclusivo e aguardam sinais mais concretos de estabilidade, especialmente no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.

9 abr 2026 - 09h26
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Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas

Os efeitos econômicos da guerra já começam a aparecer na Europa. A inflação na zona do euro subiu para 2,5% em março, acima do registro de 1,9% no mês anterior.
Os efeitos econômicos da guerra já começam a aparecer na Europa. A inflação na zona do euro subiu para 2,5% em março, acima do registro de 1,9% no mês anterior.
Foto: REUTERS - Jana Rodenbusch / RFI

A avaliação em Bruxelas é de que o acordo representa apenas um passo inicial. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que a incerteza ainda predomina na região do Golfo. Embora a passagem por Ormuz tenha sido reaberta, os ataques recentes de Israel no Líbano colocaram em dúvida a normalização do tráfego marítimo.

Um dos pontos em aberto é justamente o alcance do cessar-fogo. Ainda está em debate se o acordo inclui o território libanês, que faz fronteira com Israel e abriga o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã.

Para os europeus, o tempo é um fator decisivo. Quanto mais longa for a guerra, maiores tendem a ser os impactos econômicos, sobretudo no preço do petróleo e na inflação.

Entre as reações oficiais, a mais dura veio da Espanha. O primeiro-ministro Pedro Sánchez classificou o cessar-fogo como uma "boa notícia", mas alertou que isso não pode apagar "o caos, a destruição e as vidas perdidas". Ele acrescentou que o governo espanhol "não vai aplaudir aqueles que incendeiam o mundo só porque aparecem com um balde".

Em Bruxelas, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, descreveu o momento como uma "desescalada muito necessária". Já o chanceler alemão, Friedrich Merz, defendeu uma solução que leve a um "fim duradouro da guerra".

Mark Rutte vai a Washington

O conflito também voltou a expor tensões dentro da Otan. O secretário-geral da aliança, Mark Rutte, está em Washington para uma série de reuniões que incluem o papel da organização na segurança do Estreito de Ormuz, além de discussões sobre a guerra na Ucrânia e cooperação na indústria militar.

A relação entre a Otan e o ex-presidente Donald Trump segue marcada por atritos. Trump insiste que os Estados Unidos arcam com o maior peso da aliança e voltou a criticar a falta de engajamento militar europeu no conflito com o Irã. Após encontro com Rutte, a Casa Branca afirmou que a guerra serviu como um teste para a Otan e que a aliança não teria passado.

Europa já sobre com os efeitos econômicos da guerra

Enquanto isso, os efeitos econômicos da guerra já começam a aparecer na Europa. A inflação na zona do euro subiu para 2,5% em março, acima do registro de 1,9% no mês anterior. O principal fator foi a alta nos preços da energia, cuja inflação saltou para 4,9%, após ter registrado deflação de 3,1% no período anterior.

O aumento no custo da energia preocupa porque tende a se espalhar por toda a economia. Diante desse cenário, a Comissão Europeia já propôs flexibilizar regras do mercado de carbono e recomendou que a população reduza o consumo energético, com menos deslocamentos e mais trabalho remoto. O receio em Bruxelas é de que os efeitos do conflito estejam apenas começando.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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