Brasil é homenageado no Festival Internacional de Teatro de Rua de Aurillac, na França
Termina neste sábado (23), a 38ª edição do Festival Internacional de Teatro de Rua de Aurillac, no interior da França, que este ano homenageia o Brasil na temporada cultural França-Brasil. O programa oficial deste ano apresenta 19 companhias, um terço dos criadores é composto por nomes brasileiros. Dentre eles, o coreógrafo e bailarino brasileiro Fábio Osório Monteiro, que participa com a performance "Bola de Fogo".
Termina neste sábado (23), a 38ª edição do Festival Internacional de Teatro de Rua de Aurillac, no interior da França, que este ano homenageia o Brasil na temporada cultural França-Brasil. O programa oficial deste ano apresenta 19 companhias, um terço dos criadores é composto por nomes brasileiros. Dentre eles, o coreógrafo e bailarino brasileiro Fábio Osório Monteiro, que participa com a performance "Bola de Fogo".
Com informações de Carina Branco, enviada especial da RFI a Aurillac
Desde quarta-feira, a pequena cidade com cerca de 27 mil habitantes recebe cerca de 3 mil artistas e 140 mil espectadores. Por meio da dança, Alice Ripoll, Clarice Lima, Marina Guzzo, Fábio Osório Monteiro, Renato Linhares, Vania Vaneau e a companhia ColetivA Ocupação contam histórias de resistências, lutas, insubmissão e irreverência.
Em entrevista à RFI, o diretor do Festival de Aurillac, Frédéric Rémy, destacou que ter o tema Brasil na cidade francesa é uma forma de trazer debates políticos para o espaço público.
"Um Brasil que resistiu aos anos Bolsonaro, um Brasil que tenta lutar contra os preconceitos, que tenta lutar contra as desigualdades. Eu acredito que isso é importante. Depois, é um Brasil que também quer festejar e dançar porque faz parte da sua identidade. A dança no espaço público é um elemento completamente libertador e é algo que se compartilha de maneira intensa", descreveu.
Para o diretor, trazer um ambiente alegre e irreverente para um espaço público francês é positivo:
"Na França e na Europa precisamos nos abrir ao mundo e encontrar as pessoas cara a cara, ouvi-las. Estes encontros são incomparáveis", acrescenta Frédéric Rémy.
Acarajé como expressão política
Fábio Osório Monteiro falou à RFI logo depois de ter fritado acarajé para as dezenas de pessoas que assistiam à sua peça que junta dança, histórias e a preparação ao vivo da iguaria culinária afro-baiana. Segundo ele, o acarajé, sinônimo de legado e resistência, é uma "comida sagrada" e política, feita com o "ingrediente da saudade".
O bailarino contou que "Bola de Fogo" surgiu no momento em que ele, como artista, estava tendo dificuldades financeiras, quando teve a ideia de fazer do alimento tão tradicional em Salvador, uma forma de ganhar seu sustento.
No espetáculo, o artista aborda questões pessoais, políticas e pensamentos progressistas para a sociedade. "É um trabalho em que eu vou passeando por desejos pessoais e desejos meus para o mundo, através do alimento que é o acarajé. Uma comida sagrada, uma comida de Orixá, para quem é do candomblé. Sem dúvida, foi um dos trabalhos que mais me tocam pessoalmente", revelou.
"Chegar numa praça aqui na cidade de Aurillac, na França, e encontrá-la cheia de gente para ver a minha performance, assim como tem outras praças cheias de gente para ver outros artistas, é lindo. Isso é muito potente", destaca Fábio.
Assim como durante o Festival de Avignon, as ruas do Festival de Aurillac também ficam lotadas de companhias de teatro à margem do programa oficial, as chamadas "Companhias de Passagem". São 640 grupos que vêm de toda a França, mas também de outros países.