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Este mês deve ser fevereiro mais quente, com primavera chegando mais cedo no hemisfério norte

29 fev 2024 - 12h16
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É provável que o mundo tenha registrado o fevereiro mais quente de todos os tempos, enquanto as condições semelhantes às da primavera no hemisfério norte fizeram com que as flores desabrochassem mais cedo do Japão ao México, deixaram as pistas de esqui sem neve na Europa e elevaram as temperaturas a 38ºC no Texas.

Embora os dados não tenham sido finalizados, três cientistas disseram à Reuters que fevereiro está a caminho de ter a maior temperatura média global já registrada para esse mês, graças à mudança climática e ao aquecimento do Oceano Pacífico Oriental conhecido como El Niño.

Se confirmado, esse seria o nono recorde mensal consecutivo de temperatura a ser quebrado, de acordo com dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA. A NOAA publicará os números finais de fevereiro por volta de 14 de março, de acordo com sua assessoria de imprensa.

No hemisfério norte, as temperaturas recordes significam que "a primavera chega mais cedo", afirmou Karin Gleason, cientista atmosférica da NOAA, na semana passada.

"Eu estava na parte leste da Carolina do Norte ontem e vi algumas árvores em plena floração, com flores por todas as árvores, e pensei: "Estamos em fevereiro. Isso parece muito estranho."

Pessoas em Tóquio também tiraram fotos das flores de cerejeira rosa que floresceram cerca de um mês antes do normal, enquanto jacarandás que normalmente florescem no final de março encheram a Cidade do México de botões roxos desde janeiro.

À medida que a neve derretia na Europa este mês, as pistas de esqui se transformaram em lodo e ficaram ociosas na Bósnia e na Itália, enquanto um resort francês rebatizou suas pistas como um destino para caminhadas e ciclismo.

Nos Estados Unidos, as temperaturas ficaram até 22 graus Celsius acima do normal nesta semana, com a cidade de Killeen, no Texas, estabelecendo um recorde de 38ºC.

O calor adicional do aquecimento global causa estragos nos sistemas globais, ajudando a derreter as geleiras nos polos e nas montanhas, elevando o nível do mar e causando condições climáticas extremas, disse Anders Levermann, físico do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático.

As altas temperaturas recordes no verão - agora em curso no hemisfério sul - geralmente levam a um aumento nas mortes relacionadas ao calor, disse Jane Baldwin, cientista atmosférica da Universidade da Califórnia em Irvine.

"O calor é um assassino silencioso substancial", afirmou ela.

Ondas de calor atingiram Argentina, Peru, Brasil e Chile neste mês, e as condições quentes e secas também contribuíram para que incêndios florestais perto de Santiago matassem pelo menos 133 pessoas.

Gleason disse que o El Niño deve se dissipar em meados de 2024 e pode mudar rapidamente para La Niña - um resfriamento no Pacífico Oriental - o que pode ajudar a interromper a onda de calor até o final do ano.

Ainda assim, a NOAA prevê que há 22% de chance de 2024 quebrar o recorde de 2023 como o ano mais quente, e há 99% de chance de ficar entre os cinco primeiros, disse Gleason.

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