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Estados Unidos

Mídia é o oxigênio para o terrorismo, defendem especialistas

9 set 2011 - 16h30
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Gonçalo Valduga

Com o fim da Guerra Fria (1947 - 1990), quando se pensava em um mundo mais calmo e tranquilo, explodiu o 11 de setembro de 2001, apavorante precursor de uma nova era midiática, instalada no início da primeira década do século XXI e cuja duração ninguém se arrisca a prever. Desde que as televisões registraram em todos os cantos do planeta cada momento do trágico ataque às Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, iniciou-se uma relação mais íntima entre mídia e terrorismo, como apontam analistas estrangeiros e brasileiros ouvidos pelo Terra. Para eles, nos últimos dez anos, o terror passou a se alimentar da mídia, que é fundamental para a existência dele.

Leitor observa as manchetes dos jornais na bolsa de Chicago dois dias após os ataques às Torres Gêmeas do World Trade Center
Leitor observa as manchetes dos jornais na bolsa de Chicago dois dias após os ataques às Torres Gêmeas do World Trade Center
Foto: AFP

"Os meios de comunicação são o oxigênio do terrorismo. Sem eles, os terroristas seriam sufocados e morreriam", afirma o pesquisador Adam Lockyer, professor do Centro de Estudos sobre os EUA na Universidade de Sydney. Lockyer destaca que um dos principais objetivos do terrorismo é enviar a sua mensagem para o máximo de pessoas. "Se a mídia aprendeu a cobrir o terrorismo, diria que foi uma vitória para Osama Bin Laden. Se você quiser pará-los, a primeira coisa que deve fazer é enfraquecer a cobertura", diz.

Assim como Lockyer, o especialista em comunicação Jacques Wainberg, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), também acredita nessa conexão. "Existe uma relação umbilical entre terror e mídia. Se há um lugar onde a violência é bem-vinda é nas redações de jornal; a infelicidade do mundo é a felicidade da redação", afirma ele, ao explicar que o atentado é uma ação dramática feita por pessoas que querem incomodar a sociedade, atraindo a atenção da mídia. "O medo é a forma mais eficiente de conquistar a atenção das pessoas", define.

É de total interesse dos veículos de comunicação alcançar os instintos humanos básicos, principalmente com o impacto do medo, o mais visado pelos terroristas. Neste sentido, Adam Lockyer aborda a relação entre terroristas e guerrilheiros. "Guerrilheiros tentam ganhar a guerra, atacando o Exército e as instituições governamentais. E, embora sejam mais fracos, podem se tornar fortes o suficiente para enfraquecê-los. No caso dos terroristas, eles são ainda mais fracos e não conseguem enfrentar o Estado sem associar suas forças, de alguma forma, a segmentos da sociedade através da influência na opinião pública. Tudo o que podem fazer é influenciar a opinião pública", conclui.

A lógica é implacável, refere ele, para quem, quando uma bomba explode em um ônibus, a ação é uma tentativa de influenciar a opinião pública e, através disso, fazer o público influenciar o governo. "A mídia gosta disso porque gera um drama muito grande. Se o jornal tem imagens e artigos sobre um ataque terrorista devastador, você venderá mais jornais. Essa é a lógica", afirma.

Jacques Wainberg concorda com o colega australiano, em que a atenção das pessoas é o grande alvo da imprensa. Para ele, o medo é um propulsor da atenção, com um papel de lubrificante social. "Não é só a violência que vende, mas é ela, e nela se inclui o medo, que produz a ignição mais rápida. Ela atormenta, produz a incerteza, a ameaça da morte constante e as pessoas temem isso e querem sobreviver", afirma.

Parte do dia a dia

Para quem defende a televisão como grande agente de atuação do terrorismo, ao lado das redes sociais, nos últimos 10 anos, o tema foi incorporado ao dia a dia das pessoas. É o caso do sociólogo americano David L. Altheide, professor da Escola de Justiça e Pesquisa Social da Universidade Estadual do Arizona.

"De setembro de 2001 para cá, especialmente na televisão, os programas passaram a dar aos espectadores uma estrutura de referência de pensamento e informações consistentes sobre o terror", aponta. Para Altheide, "nós passamos da simples condição de reportar eventos violentos, para o exame, até aprofundado em matéria de causas, das características dos terroristas e particularmente da ameaça que representam".

Altheide anota que o terrorismo mudou a concepção de ser uma tática ou estratégia para uma condição do mundo, significando perigo. "A incerteza constante é violadora e não está restrita a poucos grupos. É uma forma de se referir cada vez mais a muitos inimigos ao redor do mundo", diz.

Fonte: Terra
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