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John Kerry adverte sobre risco de genocídio no Sudão do Sul

Kerry pediu o fim dos combates e o acesso da ajuda humanitária ao Sudão do Sul

1 mai 2014
11h24
atualizado às 11h26
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O secretário de Estado americano, John Kerry, advertiu nesta quinta-feira na capital da Etiópia sobre um risco de genocídio no Sudão do Sul se a guerra civil no país africano não for detida.

<p>Em reunião nesta quinta-feira, Kerry abordou a possibilidade de enviar soldados da região ao país</p>
Em reunião nesta quinta-feira, Kerry abordou a possibilidade de enviar soldados da região ao país
Foto: AP

"Há indicadores preocupantes sobre o tipo de assassinatos com critérios étnicos, tribais, nacionalistas que estão ocorrendo", advertiu Kerry em Adis Abeba.

"Se eles continuarem ocorrendo, como até agora, podem representar um desafio muito sério em relação ao tema do genocídio", acrescentou, no início de um giro pela África.

Mais cedo, após se reunir com seus colegas etíope, queniano e ugandês, Kerry havia pedido o fim dos combates e o acesso da ajuda humanitária ao Sudão do Sul.

"Acredito que está claro que todos estão de acordo que os massacres devem parar, que é preciso permitir um acesso humanitário" à população, declarou.

Sede da União Africana, Adis Abeba acolhe as negociações entre o governo do presidente sul-sudanês, Salva Kiir, e a rebelião dirigida por seu rival, o ex-vice-presidente Riek Machar, que se enfrentam desde meados de dezembro.

No dia 23 de janeiro, as duas partes assinaram um cessar-fogo em Adis Abeba, que não deu resultados. Na segunda-feira as negociações foram retomadas na capital etíope, sem grandes avanços.

Na reunião, Kerry e seus colegas se concentraram na situação no Sudão do Sul e, entre outras medidas, abordaram a possibilidade de enviar soldados da região ao país.

Os combates, que já deixaram milhares de mortos, são acompanhados por massacres de civis segundo critérios étnicos.

"Os dois grupos acreditam que podem vencer militarmente, mas não há uma solução militar", afirmou o funcionário do Departamento de Estado.

Como consequência disso, Washington "transmitirá mensagens duras às duas partes para informá-las de que elas serão consideradas responsáveis se não tomarem as medidas necessárias para colocar fim às hostilidades", advertiu.

Já a ONU declarou na quarta-feira que o Sudão do Sul se encontra à beira da catástrofe e mencionou claramente o risco de um genocídio, como o sofrido por Ruanda há 20 anos.

As "incitações ao ódio" e os massacres "com bases étnicas" no Sudão do Sul geram o temor de que "este conflito provoque uma violência grave que escape de qualquer controle", afirmou Adama Dieng, conselheiro para a prevenção do genocídio das Nações Unidas.

"Devemos garantir que os responsáveis pelos crimes cometidos aqui respondam por eles", completou.

"Aos sobreviventes do genocídio, devemos o juramento de adotar todas as medidas ao nosso alcance para proteger a população de uma nova Ruanda. Não há desculpa para não agir", disse.

De acordo com Dieng, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, está muito preocupado e fará com que "o que aconteceu em Ruanda não se repita nunca em nenhuma outra parte do continente".

Kerry chegou à Etiópia na noite de quarta-feira para um giro africano que também o levará à República Democrática do Congo (RDC) e a Angola para abordar, além do caso do Sudão do Sul, os conflitos na República Centro-Africana, na Somália e na RDC.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

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