Republicanos e democratas: polos opostos sobre a posse de armas nos EUA
O tiroteio registrado nesta semana em San Bernardino, na Califórnia, recolocou o debate sobre a posse de armas no centro da campanha presidencial nos Estados Unidos: enquanto os democratas defendem a limitação do acesso, os republicanos insistem na manutenção das atuais regras e na militarização dos cidadãos contra os terroristas.
O massacre de San Bernardino, no qual 14 pessoas morreram e 21 ficaram feridas, mostrou o quanto os aspirantes à Casa Branca discordam sobre o assunto, ressaltando as divergências entre os dois partidos políticos americanos.
Depois do incidente, um grupo de senadores democratas apresentou várias propostas de lei para endurecer o acesso às armas no país. Os pré-candidatos republicanos que ainda seguem no Senado, porém, se opuseram às medidas, inclusive contra uma que restringia a possibilidade de um terrorista poder comprá-las.
Enquanto a favorita entre os democratas, Hillary Clinton, se negava a aceitar como "normal" que os EUA vivam esse tipo de episódio de maneira sistemática, seus adversários republicanos faziam uma intensa defesa do direito dos americanos portarem armas.
Hillary, que há anos defende um controle mais rígido na venda de armas, criticou duramente seus rivais por terem bloqueado uma lei que pretendia proibir a aquisição delas por pessoas que estejam proibidas de viajar em aviões.
"Se uma pessoa é perigosa demais para voar nos Estados Unidos, também é perigosa demais para comprar uma arma", argumentou a ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama.
Por outro lado, Ted Cruz, senador pelo Texas, um dos mais conservadores na corrida presidencial, não cancelou um evento marcado com usuários de armas em Iowa, o primeiro estado a votar nas primárias. Além disso, visitou uma loja e permitiu que fosse fotografado segurando uma pistola.
"Inclusive em meio a terríveis eventos como este, nunca devemos permitir que nos tirem as liberdades fundamentais consagradas em nossa Constituição, que estão garantidas para os cidadãos americanos respeitosos com a lei", defendeu a porta-voz de Cruz, Catherine Frazier, em resposta às críticas pela manutenção do evento.
O também senador Marco Rubio se recusou a fazer uma autocrítica sobre a situação da violência armada do país.
"Acho que a esquerda frequentemente muda de ideia sobre as leis de armas. Mas a verdade é que estados como a Califórnia têm leis de armas muito rígidas, assim como em Illinois, Washington DC e outros estados que sofrem com uma violência armada significativa. Nunca foi provado a efetividade dessas leis, salvo para manter as armas longe das mãos dos americanos que respeitam a lei", disse Rubio, pré-candidato republicano e senador pela Flórida.
No entanto, outros aspirantes conservadores, como Jeb Bush, ex-governador da Flórida, e o atual governador de Nova Jersey, Chris Christie, foram mais flexíveis em suas declarações sobre novas medidas para combater os frequentes tiroteios nos EUA.
"Lutem contra os criminosos, não contra as armas", disse Bush, apesar de ressaltar que está de acordo em endurecer a pesquisa de antecedentes na venda de armas.
"Se há evidência que a pessoa sofre de uma doença mental, um grave problema, não acredito que deva poder obter uma arma", disse o ex-governador sobre o assunto.
Por outro lado, o presidente Barack Obama voltou a exigir novas medidas para restringir o acesso às armas. Já o jornal "The New York Times" publicou um histórico editorial de capa, algo que não fazia desde 1920, defendendo o "fim da epidemia das armas" nos EUA.
No entanto, parece improvável que os republicanos mudem sua postura, sobretudo pela forte influência de grupos de pressão sobre o partido, como a Associação Nacional do Rifle (NRA).
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