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Deputado dos EUA é criticado por foto de Natal com armas dias após massacre em escola

A foto da família de Thomas Massie posando com armas de fogo foi postada dias depois de um tiroteio mortal em escola dos EUA

6 dez 2021 11h59
| atualizado às 12h02
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A foto de Thomas Massie foi postada no Twitter alguns dias depois que um tiroteio em uma escola de Michigan deixou quatro alunos mortos
A foto de Thomas Massie foi postada no Twitter alguns dias depois que um tiroteio em uma escola de Michigan deixou quatro alunos mortos
Foto: @REPTHOMASMASSIE / BBC News Brasil

Um congressista dos Estados Unidos enfrentou uma enxurrada de críticas depois que postou uma foto de Natal de sua família posando com rifles de estilo militar, poucos dias depois de um tiroteio mortal em uma escola no país.

Parlamentar republicano do Kentucky, Thomas Massie tuitou a foto com a legenda: "Feliz Natal! Ps. Papai Noel, por favor, traga munição".

A postagem foi condenada por uma série de famílias afetadas pela violência com arma de fogo, além de figuras de ambos os lados da política.

Ele foi procurado para comentar o caso, mas não se respondeu aos pedidos.

Durante a polêmica, Massie retuitou mensagens de apoio e também de quem o criticava — interagindo diretamente com vários usuários do Twitter que disseram que ele era "insensível".

A foto foi postada dias depois de um tiroteio em uma escola em Michigan, que deixou quatro adolescentes mortos e sete feridos. A promotoria afirma que Ethan Crumbley, de 15 anos, usou a arma do pai para atirar em colegas de classe na cidade de Oxford, em Michigan.

Os pais do suspeito foram acusados de homicídio culposo por não atenderem aos múltiplos sinais de alerta antes da tragédia. Eles se declararam inocentes.

Esse foi o mais recente de uma série de tiroteios nos EUA, o que gerou um acirrado debate sobre legislação relativa a armas de fogo.

As famílias de alunos mortos em tiroteios em escolas anteriores se manifestaram contra a postagem do congressista.

A filha de Fred Guttenberg, Jaime, foi morta em um tiroteio em escola em Parkland, na Flórida, em 2018 — um dos piores ataques em escolas que os EUA já viram.

Ele postou uma foto de Jaime e também uma foto de sua lápide embaixo do post do congressista. E escreveu ao deputado: "Já que estamos compartilhando fotos de família, aqui estão as minhas. Uma é a última foto que tirei de Jaime, a outra é onde ela está enterrada por causa do tiroteio na escola de Parkland".

Manuel Oliver, cujo filho Joaquin também morreu no ataque em Parkland, disse à CNN que o tuíte era "o pior mau gosto possível".

Diversas figuras do Partido Republicano também condenaram a postagem.

Adam Kinzinger, um congressista republicano de Illinois, zombou dele por exibir um "fetiche por arma" com a postagem.

E Anthony Scaramucci, que foi brevemente diretor de comunicações do ex-presidente Donald Trump, tuitou que financiaria quaisquer candidatos potenciais que concorressem contra Massie nas eleições legislativas do ano que vem.

Apesar das críticas, vários nomes proeminentes nos círculos conservadores dos EUA defenderam o parlamentar.

A representante do Colorado e ativista pelos direitos a armas, Lauren Boebert, tuitou: "Esse é o meu tipo de cartão de Natal". Outro republicano, Jose Castillo escreveu "Tudo que eu quero no Natal é... mais autoridades eleitas como Thomas Massie."

Thomas Massie tirou uma arma do bolso durante um comício pelos direitos a armas em janeiro de 2020
Thomas Massie tirou uma arma do bolso durante um comício pelos direitos a armas em janeiro de 2020
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Massie foi eleito representante do Kentucky no Congresso pela primeira vez em 2012 e está intimamente associado à ala libertária do Partido Republicano.

Ele é um defensor ferrenho da Segunda Emenda — o direito de manter e portar armas — e sempre se opôs fortemente a quaisquer iniciativas de controle de armas, dizendo em entrevistas que elas não impediriam os massacres em escolas.

Em abril, ele apresentou um projeto de lei para reduzir a idade de compra de armas de 21 para 18 anos.

A equipe dele ainda não havia respondido ao pedido da BBC de comentar sua postagem no Twitter até a publicação desta matéria.

Em 2020, a violência armada matou quase 20.000 americanos — mais do que qualquer outro ano em pelo menos duas décadas — de acordo com dados do Gun Violence Archive.

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