Enviados de Trump e Putin dizem que reunião sobre Ucrânia foi "muito positiva" e "construtiva"
Por Dmitry Zhdannikov
DAVOS, 20 Jan - Enviados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do presidente da Rússia, Vladimir Putin, disseram nesta terça-feira que sua reunião em Davos sobre um possível acordo de paz para a guerra na Ucrânia foi "muito positiva" e "construtiva".
Os Estados Unidos mantiveram conversas com a Rússia e, separadamente, com Kiev e líderes europeus, sobre propostas para encerrar o conflito, mas nenhum acordo foi obtido até o momento, apesar das repetidas promessas de Trump.
Aliados europeus da Ucrânia, que atualmente discutem publicamente as ameaças de Trump contra a Groenlândia, temem a possibilidade de os Estados Unidos exigirem que a Ucrânia aceite concessões territoriais.
"O diálogo é construtivo e cada vez mais pessoas entendem a imparcialidade da posição russa", disse o enviado de Putin, Kirill Dmitriev, após conversas com o enviado de Trump, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, na "Casa dos EUA" em Davos.
Witkoff disse: "Tivemos uma reunião muito positiva", segundo a agência de notícias russa RIA.
A reunião durou duas horas, disse uma fonte sob condição de anonimato.
A discussão gira em torno de como acabar com a guerra mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, o futuro da Ucrânia, até que ponto as potências europeias serão deixadas de lado e se um acordo de paz mediado pelos Estados Unidos será ou não duradouro.
A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, após oito anos de combates no leste da Ucrânia, desencadeando o maior confronto entre Moscou e o Ocidente desde o auge da Guerra Fria.
A Rússia controla cerca de 19% da Ucrânia, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014, além da maior parte da região oriental de Donbas, grande porção das regiões de Kherson e Zaporizhzhia e pedaços de outras quatro regiões.
A Rússia afirma que a Crimeia, Donbas, Kherson e Zaporizhzhia são agora partes de seu território. A Ucrânia diz que jamais aceitará isso, e a maioria da comunidade internacional não reconhece as anexações.
Líderes ucranianos e europeus argumentam que não se pode permitir que a Rússia atinja seus objetivos depois do que consideram uma apropriação de terras no estilo imperial. Se a Rússia vencer, dizem as potências europeias, um dia ela atacará a Otan. Moscou diz que tais afirmações são ridículas e que não tem intenção de atacar um membro da Otan.
A Rússia afirma que os líderes europeus têm a intenção de arruinar as negociações de paz, introduzindo condições que sabidamente serão inaceitáveis para a Rússia, que tomou de 12 a 17 km² de território ucraniano por dia em 2025.
Putin trata a guerra como um momento decisivo nas relações com o Ocidente, que, segundo ele, humilhou a Rússia após a queda da União Soviética em 1991, ao ampliar a Otan e invadir o que considera como esfera de influência de Moscou.
O presidente russo tem declarado repetidamente estar aberto à paz, mas com base nas realidades do campo de batalha.
Os Estados Unidos afirmam que um total de um milhão de homens russos e ucranianos foram mortos ou feridos na guerra. A Rússia e a Ucrânia não divulgam suas perdas.