Entenda o surto de hantavírus em cruzeiro e por que a OMS descarta pandemia
Infecção no navio MV Hondius deixou três mortos; transmissão entre humanos é rara e não existe vacina ou tratamento específico
A Organização Mundial da Saúde (OMS) investiga um surto de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril. Até o momento, oito casos foram relatados, incluindo três mortes.
Apesar do alerta sanitário internacional e do isolamento de passageiros, a OMS descarta o risco de uma nova pandemia e afirma que o contágio não se assemelha ao da covid-19.
O que aconteceu no navio
O cruzeiro, operado pela Oceanwide Expeditions, viajava pelo Oceano Atlântico com cerca de 150 passageiros e tripulantes. Durante o trajeto, três pessoas morreram: um casal holandês e uma cidadã alemã.
Outros passageiros foram evacuados para tratamento médico, incluindo um britânico internado em terapia intensiva na África do Sul. O navio, que estava ancorado próximo a Cabo Verde, segue viagem para as Ilhas Canárias, na Espanha.
Como ocorreu a transmissão
O hantavírus é transmitido principalmente pela inalação de partículas presentes na urina, fezes ou saliva de roedores infectados. No entanto, a OMS suspeita que, neste caso específico, houve transmissão de pessoa para pessoa a bordo.
A cepa andina do vírus, identificada nos passageiros, é a única conhecida por permitir esse tipo de contágio. "Acreditamos que possa haver alguma transmissão entre humanos que esteja ocorrendo entre os contatos realmente próximos, marido e mulher, pessoas que dividiram cabines", afirmou Maria Van Kerkhove, diretora de preparação e prevenção de epidemias da OMS.
Risco de pandemia descartado
Especialistas reforçam que o hantavírus possui características muito diferentes do coronavírus. "Este não é o início de uma nova epidemia", declarou Van Kerkhove.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o surto deve permanecer limitado se as medidas de saúde pública forem aplicadas.
Sintomas e tratamento
Na fase inicial, segundo a OMS, a hantavirose causa febre, dores musculares, dor de cabeça, dor abdominal e mal-estar. A doença pode evoluir rapidamente para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), provocando dificuldade de respirar, tosse seca e insuficiência respiratória.
Não existe vacina ou tratamento específico para a infecção. O cuidado médico foca no suporte aos sintomas, podendo incluir oxigênio e ventilação mecânica em casos graves.
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