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Emilia-Romagna se torna 3ª região da Itália a aprovar lei sobre suicídio assistido

Toscana e ilha da Sardenha já regulamentaram procedimento

23 jul 2026 - 16h57
(atualizado às 17h18)
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A Assembleia Legislativa da Emilia-Romagna, no norte da Itália, aprovou nesta quinta-feira (23) uma lei regional que regulamenta os procedimentos de acesso ao suicídio assistido por médicos, seguindo os princípios estabelecidos pelo Tribunal Constitucional italiano.

Proposta foi aprovada pela maioria de centro-esquerda
Proposta foi aprovada pela maioria de centro-esquerda
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Com a decisão, a região se torna a terceira da Itália a adotar uma legislação específica sobre o tema, depois da Toscana e da ilha da Sardenha.

A norma define prazos, critérios e etapas para a verificação dos requisitos de elegibilidade e para a realização do procedimento dentro do sistema de saúde regional, enquanto o Parlamento italiano ainda não aprovou uma legislação nacional sobre a prática.

A proposta foi aprovada pela maioria de centro-esquerda, formada pelo Partido Democrático (PD), Aliança Verde e de Esquerda (AVS), Listas Cívicas e Movimento Cinco Estrelas (M5S), e recebeu votos contrários de Irmãos da Itália (FdI), Força Itália (FI), Liga e Rete Civica.

Segundo o governo regional, a lei busca garantir aplicação uniforme das decisões do Tribunal Constitucional, estabelecendo regras mais claras e transparentes, além de prazos compatíveis com a condição clínica do paciente e igualdade de acesso em toda a região.

O governador Michele de Pascale afirmou que, diante da ausência de uma regulamentação nacional, a região optou pelo instrumento legislativo para oferecer maiores garantias e segurança jurídica.

A legislação prevê a criação de uma comissão multidisciplinar de avaliação, organizada por áreas territoriais amplas, responsável por verificar se os pacientes atendem aos requisitos definidos pela jurisprudência constitucional. O grupo contará com o apoio de pareceres do Comitê Regional de Ética Clínica.

O procedimento deverá ser gratuito e só poderá ocorrer após o paciente receber informações sobre todas as alternativas terapêuticas disponíveis, incluindo os cuidados paliativos.

A aprovação ocorreu após uma longa sessão de debates na Assembleia Legislativa. Para os partidos da maioria, a lei não cria um novo direito, mas regulamenta, no âmbito da saúde pública, um direito já reconhecido pelo Tribunal Constitucional.

Já a oposição de centro-direita argumentou que a região estaria antecipando uma decisão que deveria caber ao Estado italiano e defendeu maior investimento em cuidados paliativos e proteção às pessoas em situação de vulnerabilidade.

A Associação Luca Coscioni, que apoiou a iniciativa por meio da campanha de lei popular "Liberi Subito" ("Livres Imediatamente"), comemorou a aprovação e afirmou que continuará trabalhando para que regras semelhantes sejam adotadas em todas as regiões italianas. 

Ansa - Brasil
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