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Bolsonaro e Macri falam em criar moeda comum no Mercosul

A questão da unificação monetária foi apresentada em encontro com empresários pelo ministro da Economia Paulo Guedes e foi bem recebida

7 jun 2019 - 09h09
(atualizado às 09h12)
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Empresários argentinos e representantes dos governos de Mauricio Macri e Jair Bolsonaro discutiram nesta quinta-feira, 6, a criação de uma moeda comum no Mercosul, que se chamaria "peso real". Uma fonte argentina confirmou ao Estado que a moeda comum seria resultado natural da intensificação do processo de integração de dois países que adotam políticas econômicas semelhantes.

O presidente Jair Bolsonaro presenteia o argentino Mauricio Macri durante encontro na Casa Rosada, em Buenos Aires, nesta quinta- feira (06/07/2019)
O presidente Jair Bolsonaro presenteia o argentino Mauricio Macri durante encontro na Casa Rosada, em Buenos Aires, nesta quinta- feira (06/07/2019)
Foto: NESTOR J. BEREMBLUM/ELEVEN / Estadão Conteúdo

Desde o início do Mercosul, no início dos anos 90, existe a intenção de se criar uma moeda única. No entanto, choques econômicos, como a desvalorização do real, de 1999, impediram a concretização do plano. A discrepância entre as inflações de Brasil e Argentina, porém, seria um grande desafio. Enquanto a inflação acumulada nos últimos 12 meses no Brasil é de 5%, na Argentina chega a 55%.

O Estado apurou que a questão da moeda comum foi apresentada nesta quinta-feira pelo ministro da Economia Paulo Guedes durante um encontro empresarial no Hotel Alvear, no qual estiveram presentes Bolsonaro e os ministros argentinos Jorge Faurie, de Relações Exteriores, e Dante Sica, de Produção e Trabalho. A proposta foi muito bem recebida, disseram fontes que participaram do encontro.

A criação de uma moeda única para o Mercosul ganhou impulso no fim de abril, quando a Argentina atravessava mais uma fase aguda de sua crise financeira. A ideia havia sido apresentada ao governo de Mauricio Macri meses antes em Washington. Na ocasião, a equipe argentina pediu para que os brasileiros esperassem até que as eleições presidenciais do país passassem, em outubro, afirmou uma fonte.

Com a situação econômica agravada, porém, o ministro da Fazenda da Argentina, Nicolás Dujovne, foi até o Rio de Janeiro em abril e se encontrou com Guedes. Dujovne pediu para anunciar o projeto, o que foi rejeitado pelo Brasil, apurou o Estado. A divulgação da informação de que Bolsonaro estava disposto a fazer parte de uma união monetária seria uma ferramenta que poderia ser usada para impulsionar a popularidade de Macri, que tenta a reeleição neste ano e teve sua imagem golpeada pela crise.

O Banco Central do Brasil emitiu um comunicado na noite de quinta-feira afirmando que não há estudos para uma união monetária.

A jornalistas, Guedes afirmou que a criação da moeda é uma conjectura.

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Estadão
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