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Eletrônicos e baixa participação dos pais estão entre possíveis razões de maus resultados do Pisa

A imprensa francesa desta quarta-feira (9) analisa o relatório Pisa sobre a educação em 2025, publicado pela Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico (OCDE) na terça-feira (8). Diante da queda geral dos resultados, e da França especificamente, os jornais tentam buscar causas e soluções. O impacto do uso dos eletrônicos, questões de gestão e participação dos pais na educação são algumas pistas apontadas.

9 set 2026 - 14h43
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Resumo
Análises sobre o Pisa apontam que o avanço das telas e redes sociais prejudicou o desempenho estudantil, reduzindo o hábito de leitura e o acompanhamento dos pais. Em contrapartida, o sucesso do Reino Unido em ciências evidencia a eficácia de reformas educacionais baseadas em escolas públicas com gestão autônoma, reforço pedagógico individualizado e destinação de recursos específicos para estudantes socialmente desfavorecidos.

Libération se concentra principalmente na queda dos resultados em leitura. O jornal associa diretamente o fenômeno à expansão do uso de telas e das redes sociais, destacando a substituição da leitura pela cultura da imagem e do conteúdo rápido. O artigo argumenta que, embora livros e smartphones tenham coexistido durante algum tempo, sinais como a retração do mercado editorial, o fechamento de livrarias e a perda de leitores pelos jornais indicam um enfraquecimento do hábito de ler.

Imagem de ilustração. O ranking do PISA foi criado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com o objetivo de avaliar as habilidades básicas de estudantes de 15 anos em três áreas: leitura, matemática e ciências.
Imagem de ilustração. O ranking do PISA foi criado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com o objetivo de avaliar as habilidades básicas de estudantes de 15 anos em três áreas: leitura, matemática e ciências.
Foto: © OCDE / RFI

O editorial também alerta que a disseminação crescente das ferramentas de inteligência artificial pode aprofundar ainda mais esta crise, levantando dúvidas sobre os impactos futuros na formação intelectual e na capacidade de compreensão dos jovens.

Le Figaro se centra no bom desempenho do Reino Unido, que ficou no oitavo lugar mundial em ciências. Para a publicação, ele foi impulsionado por reformas educacionais implementadas ao longo das últimas duas décadas, especialmente a expansão do modelo das "academies", escolas públicas financiadas pelo Estado, mas com ampla autonomia administrativa e pedagógica. Segundo os defensores do modelo, essa autonomia favoreceu a inovação educacional e a implementação mais rápida de práticas pedagógicas eficazes.

O texto cita exemplos de academias bem-sucedidas, como a Brampton Manor e a London Academy of Excellence (LAE), que conseguem aprovar alunos em universidades de elite como Oxford e Cambridge. Entre os fatores apontados estão apoio acadêmico intensivo, acompanhamento individual e estruturas voltadas para o sucesso universitário.

Outro elemento apontado como decisivo é o programa "pupil premium funding", criado em 2011 para destinar recursos extras a escolas com alunos de origem social desfavorecida.

Participação dos pais

Já a reportagem do Le Parisien destaca que os resultados mais recentes do Pisa revelam uma queda significativa no envolvimento dos pais com a vida escolar dos filhos, apontando esse enfraquecimento do apoio familiar como um fator de preocupação para especialistas em educação.

No caso da França, a pesquisa da OCDE mostra uma redução expressiva do acompanhamento parental. Apenas 49% dos adolescentes afirmam que pelo menos um dos pais demonstra interesse regular pelo que aprendem na escola, contra 63% na edição anterior do Pisa.

Também caiu a frequência das conversas entre pais e filhos sobre dificuldades escolares. As discussões sobre projetos educacionais e continuidade dos estudos também diminuíram, assim como o acompanhamento cotidiano da vida escolar.

Representantes de associações de pais e professores citados pelo jornal associam parte desse afastamento à presença crescente de telas, redes sociais e ferramentas digitais dentro das famílias. Segundo eles, o tempo gasto em dispositivos eletrônicos reduziu os momentos de diálogo entre pais e filhos sobre a escola.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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