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Economia da Argentina deve se recuperar lentamente em 2027

12 out 2026 - 12h02
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Resumo
Após provável recessão técnica este ano, a economia da Argentina deve crescer lentamente até 2027, impulsionada pelo setor de commodities, enquanto a indústria e o comércio de Buenos Aires permanecem estagnados. Embora as reformas de Javier Milei projetem desaceleração da inflação para 22,8% e alta do PIB em 2,6%, o custo de vida elevado e os desafios de financiamento da dívida trazem incertezas ao plano econômico antes das eleições de 2027.

A economia da Argentina deve se recuperar lentamente à ‌medida que o país se aproxima do ano eleitoral de 2027, após provavelmente entrar em recessão no terceiro trimestre, segundo uma pesquisa da Reuters com analistas.

No entanto, os setores de manufatura e comércio em Buenos Aires, o motor econômico do país, provavelmente permanecerão fracos, ficando ainda mais para trás em relação à produção de commodities em franca expansão em outras províncias.

Essas perspectivas desanimadoras podem se tornar um grande desafio para o presidente Javier ⁠Milei, que busca consolidar apoio político para sua candidatura à reeleição nas eleições nacionais do ano que vem.

Analistas estimam que ‌o produto interno bruto cresça 2,6% no próximo ano, após alta prevista de 1,9% em 2026, de acordo com a mediana das previsões de 32 economistas consultados entre 5 e 8 de outubro.

Essa foi uma revisão para ‌baixo em relação ao crescimento esperado de 3% para ambos os ‌anos na pesquisa trimestral de julho, quando os analistas não conseguiram prever uma grande queda naquele mês. ⁠Os dados oficiais do PIB do terceiro trimestre serão divulgados em dezembro.

PREÇOS DEVEM SUBIR

Em termos ajustados sazonalmente, o PIB argentino caiu 0,6% no período de abril a junho em relação ao primeiro trimestre, a primeira contração trimestral após crescimento de 0,7% no período de janeiro a março.

"Parece praticamente impossível que o terceiro trimestre não apresente uma queda, o que significa que a economia estará em recessão técnica este ano", disse Juan Pablo Rotger, analista ‌macroeconômico do Grupo Mariva.

"Estamos voltando a um ciclo expansionista no quarto trimestre; o crédito parece dar sinais de recuperação, impulsionado ‌pelas hipotecas, e os empréstimos estão ⁠se recuperando ligeiramente, embora o ⁠crédito ao consumidor ainda esteja ficando para trás."

Os gastos das famílias também têm sido contidos por tendências inflacionárias desafiadoras.

Analistas estimam que ⁠o índice de preços ao consumidor suba 22,8% em média ‌em 2027, desacelerando em relação ao aumento ‌esperado de 32,1% neste ano.

Isso impulsionará ainda mais a iniciativa de Milei de reduzir a inflação, que estava em mais de 200% quando ele assumiu o cargo no final de 2023, por meio do corte drástico dos gastos públicos para diminuir a emissão de dinheiro.

No entanto, uma trajetória acima de 20% ⁠ainda é difícil de suportar para muitos trabalhadores e pequenas empresas cujas rendas estagnaram nos últimos anos, especialmente em Buenos Aires.

A recessão na capital, já confirmada pelas estatísticas locais, contrasta fortemente com o crescimento dos investimentos e das exportações que beneficiam outras províncias ricas em petróleo e gás, recursos minerários e agricultura.

ELEIÇÃO

Os economistas, em geral, continuam otimistas, afirmando que os resultados das reformas de Milei ‌devem se tornar mais visíveis antes da eleição presidencial de outubro de 2027.

"As autoridades têm feito um bom trabalho para garantir estabilidade em 2027 do ponto de vista cambial e sustentar a desinflação com salários reais ⁠em níveis melhores", disse Fernando Sedano, economista-chefe para a América Latina (exceto Brasil) do Morgan Stanley.

Transformar a economia argentina em um modelo impulsionado pelas exportações "leva tempo, mas, eventualmente, vai funcionar e haverá efeitos de contágio dos setores em expansão para os que estão ficando para trás".

O aumento dos preços do petróleo devido à guerra no Irã deu um impulso extra à terceira maior economia da América Latina, embora o impacto sobre a inflação global e o consequente aumento nos rendimentos dos títulos  de dívida tenham complicado o financiamento da Argentina.

O plano do governo de emitir US$5 bilhões nos mercados de dívida doméstica como parte de seu programa de financiamento para 2027 foi questionado depois que colocações menores foram excluídas das operações de rolagem em agosto.

"Há algumas questões que o governo terá de esclarecer, por exemplo, o que acontecerá se não puder emitir (esses) títulos", disse Pilar Tavella, chefe de estratégia macroeconômica e soberana da Balanz.

"Na pior das hipóteses, eles usarão as reservas internacionais ou talvez tenham outra alternativa de financiamento, como novos empréstimos bancários sindicalizados respaldados por garantias de instituições multilaterais."

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