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Drone atinge navio-tanque de armazenamento em porto egípcio no Mediterrâneo, diz empresa de segurança Ambrey

29 jul 2026 - 13h31
(atualizado às 15h27)
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Um drone atingiu um navio-tanque de armazenamento de gás de propriedade dos EUA no ‌porto egípcio de Damietta, no Mediterrâneo, informou a empresa britânica de segurança marítima Ambrey em uma avaliação inicial nesta quarta-feira, em uma potencial ampliação da guerra no Oriente Médio.

O drone atingiu o navio-tanque flutuante Energos Winter, causando um incêndio que se espalhou para outra embarcação, segundo três fontes do setor familiarizadas com o incidente.

Um comunicado do Ministério do Petróleo do Egito confirmou um incêndio no porto, mas não fez menção a um ataque com drone.

Não houve reivindicação imediata de responsabilidade pelo incidente, que, segundo o ministério, foi contido imediatamente, sem vítimas.

Mais cedo nesta quarta-feira, os Estados Unidos e a Arábia Saudita atacaram grupos paramilitares apoiados pelo Irã no Iraque, e o presidente dos EUA, ⁠Donald Trump, prometeu "dar uma surra" no Irã por ter atacado tropas norte-americanas dias depois de ele ter suspendido os ataques aéreos.

O Irã confirmou durante a madrugada que havia disparado ‌contra bases norte-americanas na Jordânia e contra navios no Estreito de Ormuz, além de ter rejeitado uma proposta de Omã para administrar conjuntamente o estreito.

"Vamos atacá-los com força", disse Trump, segundo a Fox News. "Vamos dar uma surra neles."

Os preços do petróleo dispararam nesta quarta-feira, em um dos picos mais acentuados da guerra que já dura cinco meses. ‌Os futuros do petróleo Brent subiram mais de 8%, levando o preço de referência bem acima dos ‌US$90 por barril, revertendo grande parte da queda registrada no início desta semana, quando Trump havia suspendido inesperadamente os ataques dos EUA no fim de semana.

A ⁠retomada abrupta dos ataques, poucos dias após sua suspensão, marcou o retorno ao padrão volátil de "vaivém" das fases iniciais da guerra. Trump havia dito que a operação "Fúria Épica" duraria apenas algumas semanas quando a lançou em fevereiro, mas os combates já se estendem por cinco meses, sem fim à vista.

"MORTE À AMÉRICA" GRITADO NO IRAQUE

Os ataques conjuntos dos EUA e da Arábia Saudita também marcam a primeira vez que Riad se juntou publicamente a Washington nos ataques. Isso poderia ampliar o conflito ao envolver a Arábia Saudita, de maioria muçulmana sunita, em combate contra forças aliadas do Irã, de maioria xiita, em uma nova frente.

O grupo Forças de Mobilização Popular do Iraque, poderoso grupo paramilitar apoiado ‌pelo Irã e incorporado às forças de segurança iraquianas, disse que pelo menos 20 membros foram mortos e 32 ficaram feridos nos ataques dos EUA e da Arábia Saudita que ‌tiveram como alvo várias bases em todo o Iraque.

Homens iraquianos ⁠gritavam slogans sectários xiitas e "Morte à América!" ⁠enquanto carregavam os corpos de combatentes mortos em sacos mortuários para fora de um hospital em Mossul, no norte do Iraque, como mostraram imagens da emissora iraquiana Al-Ahad.

Washington e Riad afirmaram ⁠ter atacado o grupo apoiado pelo Irã no Iraque em retaliação aos ataques com drones contra alvos petrolíferos ‌sauditas lançados a partir do Iraque.

Foi a primeira grande ‌ação militar dos EUA no Oriente Médio desde a última sexta-feira, quando Trump suspendeu abruptamente uma intensa campanha de bombardeios após 13 dias, depois de ter sido informado pelos comandantes de que a estratégia havia chegado ao fim.

Embora o Irã negue que suas forças tenham dirigido ataques a partir do território iraquiano, o jornal iraniano Hamshahri informou que quatro conselheiros da Guarda Revolucionária Iraniana foram mortos nos ataques ao Iraque.

PERIGOSA DIVISÃO NO IRAQUE

Os ataques ao Iraque expõem uma divisão ⁠perigosa nesse país volátil. O governo liderado por xiitas é um dos poucos no mundo a equilibrar laços militares e diplomáticos estreitos tanto com Teerã quanto com Washington, mas essas lealdades divididas são uma fonte constante de tensão e frequentes agitações internas.

O gabinete do primeiro-ministro Ali al-Zaidi, que assumiu o poder há apenas dois meses, instou as partes envolvidas a evitar a escalada e afirmou que deseja manter o país fora dos conflitos regionais.

A Presidência iraquiana condenou os ataques contra o grupo paramilitar como "um ataque inaceitável e uma violação flagrante da soberania do Iraque", ao mesmo tempo em que pediu a suspensão ‌dos ataques de grupos armados contra os vizinhos do Iraque.

Trump disse à Fox que os Estados Unidos haviam coordenado com o governo iraquiano a realização dos ataques. Um porta-voz do governo iraquiano não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a afirmação de Trump de que Bagdá havia cooperado.

Washington há muito tempo vem ⁠exortando o governo de Bagdá a reprimir os grupos paramilitares apoiados pelo Irã, mas as tentativas de fazê-lo no passado provocaram agitação.

Em um claro desafio à autoridade de Zaidi, um dos principais grupos iraquianos apoiados pelo Irã, o Kataib Hezbollah, afirmou que daria ao governo até a próxima quinta-feira para provar que é capaz de defender a soberania do Iraque.

Os laços profundos entre o Irã e o Iraque, os dois maiores países de maioria xiita, estão em evidência nesta semana, à medida que centenas de milhares de peregrinos iranianos se dirigem a santuários no Iraque para uma celebração anual em memória dos mártires. Alguns carregavam retratos do líder supremo iraniano assassinado, o aiatolá Ali Khamenei.

EUA AFIRMAM TER EVITADO ATAQUE IRANIANO ÀS SUAS TROPAS

Horas antes de lançar os ataques conjuntos com a Arábia Saudita contra o Iraque, os militares dos EUA disseram que suas defesas aéreas haviam evitado um ataque surpresa do Irã contra as tropas norte-americanas na região.

As Forças Armadas da Jordânia afirmaram ter derrubado cinco mísseis iranianos. As bases norte-americanas na Jordânia tornaram-se recentemente alvos principais do Irã, onde três militares norte-americanos foram mortos neste mês, nas piores baixas dos EUA desde março.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter disparado vários mísseis balísticos contra instalações militares dos EUA na Jordânia e ter atingido três navios-tanque que tentavam transitar pelo Estreito de Ormuz por uma rota não autorizada.

Os combates foram retomados este mês depois que um acordo provisório entre os EUA e o Irã, firmado em junho, fracassou devido à disputa sobre o destino do estreito — a rota de transporte de energia mais importante do mundo —, que o Irã afirma controlar e onde pretende cobrar taxas.

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