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Dois homens são considerados culpados de espionar dissidentes de Hong Kong no Reino Unido para a China

7 mai 2026 - 14h55
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Dois homens, incluindo uma autoridade de imigração britânica, ‌foram considerados culpados em um tribunal de Londres nesta quinta-feira por espionar em nome de Hong Kong e, em última instância, da China, tendo como alvo proeminentes dissidentes pró-democracia agora baseados no Reino Unido.

Chung Biu "Bill" Yuen, 65 anos, e Chi Leung "Peter" Wai, 40 anos, que trabalhava para a Força de Fronteira do Reino Unido, foram condenados por auxiliar um serviço de inteligência estrangeiro ao realizar vigilância de alvos entre dezembro de 2023 e maio de 2024.

Os homens, ambos com dupla nacionalidade chinesa e ⁠britânica, negaram as acusações, enquanto a embaixada chinesa em Londres acusou o Reino Unido de fabricar as acusações contra eles.

Acredita-se que eles ‌sejam as primeiras pessoas a serem condenadas por espionagem para a China no Reino Unido, informou a mídia local. Wai e Yuen serão sentenciados em uma data posterior e poderão pegar até 14 anos de prisão.

O júri do tribunal de Old ‌Bailey, em Londres, não conseguiu chegar a um veredicto sobre outra acusação ‌de "interferência estrangeira", relacionada à entrada forçada, em nome das autoridades de Hong Kong, na casa de uma mulher acusada ⁠de fraude, no norte da Inglaterra.

TENSÕES ENTRE CHINA E REINO UNIDO SÃO AGRAVADAS POR ALEGAÇÕES DE ESPIONAGEM

As relações entre o Reino Unido e a China têm sido tensas desde a repressão da segurança nacional aos protestos pró-democracia, às vezes violentos, em 2019 em Hong Kong, que esteve sob o domínio britânico por 156 anos antes de voltar à soberania chinesa há quase três décadas.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, visitou a China em janeiro, mas as repetidas acusações de atividades de espionagem têm se mostrado ‌um obstáculo nas tentativas de melhorar os laços bilaterais.

Após as condenações desta quinta-feira, o ministro da Segurança, Dan Jarvis, disse que o ‌Reino Unido continuará a responsabilizar a China ⁠e a desafiá-la por quaisquer ⁠ações que coloquem em risco a segurança dos britânicos.

O embaixador chinês seria convocado "para deixar claro que atividades como essa eram e sempre serão ⁠inaceitáveis em solo britânico", acrescentou Jarvis.

O promotor Duncan Atkinson disse aos jurados que ‌Yuen e Wai haviam sido encarregados ‌de realizar "operações de policiamento clandestinas" para a Região Administrativa Especial de Hong Kong e, em última instância, para a China.

Yuen era um policial aposentado de Hong Kong que trabalhava no Escritório Econômico e Comercial de Hong Kong (HKETO) em Londres, enquanto Wai, além de trabalhar para a força de imigração, também era um policial voluntário da Polícia da Cidade ⁠de Londres.

Wai foi condenado por usar indevidamente seu emprego na Força de Fronteira para pesquisar o banco de dados do computador do Ministério do Interior e obter acesso a detalhes de cidadãos estrangeiros.

Atkinson disse que a operação dos homens envolvia a espionagem de dissidentes residentes no Reino Unido, incluindo o ativista Nathan Law, para quem o governo de Hong Kong havia concedido recompensas de 1 milhão de dólares de Hong Kong (US$ 127.700) por ‌informações que levassem ao seu paradeiro ou captura.

As mensagens entre Yuen, Wai e outros os mostravam discutindo planos para atingir ativistas, que eram chamados de "baratas", e realizando vigilância sobre figuras políticas britânicas.

ATIVISTA DIZ QUE CONDENAÇÃO CONFIRMA MEDO DA CHINA

"Durante anos, os ⁠membros da diáspora de Hong Kong no Reino Unido viveram com medo", disse Finn Lau, um dos ativistas visados, em um comunicado. "A condenação de hoje confirma que o medo não era paranoia. Era real."

Um terceiro homem, acusado dos mesmos crimes que Yuen e Wai, foi encontrado morto pouco tempo depois de o trio ter sido acusado. Matthew Trickett, 37 anos, ex-fuzileiro naval britânico, havia trabalhado como oficial de imigração e investigador particular. Sua morte não foi considerada suspeita.

Em novembro passado, o serviço de segurança MI5 do Reino Unido alertou os parlamentares de que agentes chineses estavam tentando coletar informações e influenciar as atividades em Westminster.

No dia em que o julgamento de Yuen e Wai começou, em março, a polícia britânica disse que havia prendido três homens sob suspeita de auxiliar o serviço de inteligência estrangeira da China, incluindo o parceiro de um parlamentar em exercício.

Em janeiro, o Reino Unido aprovou os planos da China de construir em Londres a maior embaixada de Pequim na Europa, o que levou os críticos a acusarem Starmer de priorizar os laços econômicos em detrimento dos riscos à segurança, embora as autoridades de segurança do Reino Unido tenham dito que esses riscos poderiam ser mitigados.

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