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Dinamarca terá eleições em aposta de primeira-ministra em impulso da crise sobre Groenlândia

26 fev 2026 - 13h17
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A Dinamarca realizará eleições ‌parlamentares em 24 de março, anunciou a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, nesta quinta-feira, buscando capitalizar o aumento do apoio à sua postura desafiadora contra a pressão dos Estados Unidos sobre a Groenlândia.

Frederiksen passou os últimos meses reunindo líderes europeus contra o renovado interesse do presidente dos EUA, Donald Trump, em ⁠anexar a ilha ártica, um esforço que, segundo pesquisas de opinião, reforçou a ‌popularidade da premiê após a insatisfação pública com o aumento do custo de vida e as pressões sobre os serviços de assistência social.

"Esta será ‌uma eleição decisiva, porque será nos próximos quatro ‌anos que nós, como dinamarqueses e europeus, realmente teremos que nos ⁠sustentar por conta própria", disse Frederiksen.

"Devemos definir nossa relação com os Estados Unidos e nos rearmar para garantir a paz em nosso continente."

A crise da Groenlândia aumentou ainda mais a visibilidade de Frederiksen no cenário internacional, reforçando a posição que ela conquistou com sua resposta rápida à pandemia da Covid-19 ‌e por construir o apoio europeu à Ucrânia.

A eleição testará se os eleitores ‌recompensarão sua liderança internacional e ⁠defesa da soberania ⁠dinamarquesa ou punirão seu governo pelo que os críticos dizem ter sido uma falta de ⁠atenção aos problemas internos.

"A confiança em ‌Mette Frederiksen como líder ‌e sua capacidade de lidar com as crises da Groenlândia e da Ucrânia serão fundamentais para a campanha", disse o comentarista político Joachim B. Olsen.

"Sua fraqueza é que, tendo sido primeira-ministra por dois mandatos, fica mais ⁠difícil falar sobre soluções para os problemas", acrescentou. "Ela quer falar sobre desigualdade, mas então os eleitores perguntarão por que ela não abordou esses problemas até agora."

O atual governo da Dinamarca é uma coalizão multipartidária incomum formada pelos social-democratas, de Frederiksen, o Partido Liberal ‌de centro-direita, liderado pelo ministro da Defesa, Troels Lund Poulsen, e os Moderados, liderados por Lars Lokke Rasmussen, ministro das Relações Exteriores que já ⁠ocupou o cargo de primeiro-ministro duas vezes.

Criada em 2022 como um governo de crise, a coalizão corre o risco de perder sua maioria, de acordo com pesquisas de opinião, à medida que os partidos se reposicionam em linhas mais tradicionais de esquerda e direita.

Os social-democratas sofreram uma derrota significativa nas eleições municipais de 2025, perdendo a prefeitura de Copenhague pela primeira vez em 87 anos.

Embora o apoio ao partido tenha caído para 17% nas pesquisas de dezembro, ele se recuperou para 22% desde então, à medida que a popularidade de Frederiksen aumentou com sua maneira de lidar com a disputa pela Groenlândia. Nas eleições gerais de 2022, o partido obteve 28% dos votos.

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