Desabamento de mina de ouro deixa mais de 80 mortos no Sudão
Fonte declarou que operações de resgate estão sendo realizadas com meios rudimentares
Pelo menos 82 trabalhadores morreram e 52 ficaram feridos após o desabamento da mina de ouro informal de Al-Zaraa, no sul do Sudão. O número de vítimas deve subir, pois muitos seguem sob os escombros, em resgates dificultados pela falta de maquinário pesado. A tragédia expõe a precariedade do garimpo artesanal, atividade que atrai milhares de desempregados em meio à guerra civil no país, que financia os lados do conflito com o comércio e o contrabando de ouro para o exterior.
O desabamento de uma mina de ouro no sul do Sudão deixou mais de 80 mortos, informou nesta quarta-feira (16) uma fonte de um grupo paramilitar que controla a região.
Os poços da mina Al-Zaraa, perto da cidade de El-Nahud, em Kordofan Ocidental, começaram a desabar na última terça-feira (15) e, na manhã seguinte, dezenas de corpos já haviam sido recuperados.
A fonte das Forças de Apoio Rápido (RSF) afirmou que 82 mineiros faleceram e 52 ficaram feridos, mas destacou que o número de vítimas deve aumentar nas próximas horas.
"Um número desconhecido de pessoas permanece preso sob os escombros, e as operações de resgate estão sendo realizadas com meios rudimentares", declarou.
Já o mineiro Khair al-Sayyed Jabara, que sobreviveu ao acidente, disse à agência AFP desconhecer a quantidade exata de trabalhadores que estavam dentro da mina no momento do desabamento.
"Todos estão trabalhando duro para recuperar os corpos ou resgatar sobreviventes, mas é difícil. Precisamos de máquinas pesadas para remover rochas e terra", relatou.
Desde o início da guerra entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF), em 2023, os esforços de ambos os lados têm sido amplamente financiados pela indústria do ouro, bem como por apoiadores estrangeiros. Com o avanço do conflito, muitos desempregados passaram a recorrer ao perigoso trabalho nas minas.
A maior parte do ouro do Sudão é extraída por meio da mineração artesanal e de pequena escala, realizada em jazidas desativadas ou em áreas informais, como Al-Zaraa. Os garimpeiros trabalham manualmente e com ferramentas rudimentares, recebendo diárias irrisórias.
Em julho, a União Europeia proibiu a venda, a transferência e a exportação de mercúrio e cianeto para o Sudão, devido ao uso dessas substâncias no comércio predatório do minério.
O terceiro maior país da África é um dos principais produtor de ouro do continente e registrou, no ano passado, uma extração de 70 toneladas, o maior nível em cinco anos. No entanto, autoridades afirmam que a maior parte do metal é contrabandeada através das fronteiras sudanesas antes de chegar aos Emirados Árabes Unidos, o segundo maior exportador de ouro do mundo.
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