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Decisão histórica do Japão de liberar exportações de armas divide opinião pública e alarma China

O Japão eliminou nesta terça-feira (21) as últimas barreiras que existiam há décadas e impediam a exportação de armas pelo país. A mudança histórica divide a opinião pública ao romper com a tradição pacifista do país, inscrita na Constituição japonesa desde a Segunda Guerra Mundial. A decisão provocou reação imediata da China, que se disse "preocupada" e declarou que resistirá à "militarização imprudente" de Tóquio.

21 abr 2026 - 07h05
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O Japão decidiu acabar com 60 anos de restrições à venda de armamentos e permitir a entrada plena do país no mercado internacional da indústria de defesa. A mudança foi aprovada pelo governo e pelo Conselho de Segurança Nacional, segundo a agência de notícias Kyodo. "A revisão é parcial e autoriza, em princípio, a transferência de equipamentos de defesa", declarou o porta‑voz do governo japonês, Minoru Kihara.

A primeira‑ministra ultranacionalista Sanae Takaichi, no cargo desde outubro, fez dessa reforma uma bandeira. Segundo ela, a medida permitirá ao Japão reforçar sua defesa nacional, ao mesmo tempo em que impulsionará a indústria de armamentos para transformá‑la em um motor econômico.

Essas novas regras se inserem na flexibilização progressiva da proibição geral de exportações instituída em 1976. No passado, o Japão exportava munições e equipamentos militares, especialmente durante a Guerra da Coreia, na década de 1950. Em 1967, adotou a proibição parcial, seguida de uma proibição total das exportações uma década depois.

Nas últimas décadas, Tóquio aprovou algumas exceções, antes de abrir o caminho em 2014 para exportações de cinco categorias de produtos militares não letais, ligados aos setores de resgate, transporte, alerta, vigilância e desminagem.

"Nações parceiras"

Segundo seus defensores, a revisão fortalecerá os laços defensivos, diplomáticos e econômicos do Japão com países aliados, em um contexto de crescente instabilidade regional diante do fortalecimento militar da China e das ameaças da Coreia do Norte.

"Nenhum país pode preservar sua paz e sua segurança apenas com suas próprias forças. No setor de equipamentos de defesa, é preciso contar com nações parceiras", afirmou Takaichi nesta terça‑feira na rede X.

A China reagiu imediatamente ao anúncio. Pequim disse estar "muito preocupada", garantindo que resistirá "firmemente" a uma "militarização imprudente" do Japão.

Heigo Sato, especialista em questões de defesa da Universidade Takushoku, afirmou à AFP que o Japão precisa estabelecer "um sistema que assegure a fluidez das trocas de armas e munições" entre aliados. O especialista indica que isso aumenta as chances do país receber ajuda em caso de conflito.

Quando a Ucrânia fez um apelo às nações amigas em busca de armas para enfrentar a Rússia, o Japão se absteve de enviar armamentos, fornecendo apenas coletes à prova de balas e veículos.

Apego ao pacifismo

O ativista pacifista Koji Sugihara lamenta "uma virada histórica". Ele considera que a reputação pacifista do Japão havia, no passado, favorecido suas relações diplomáticas e comerciais. "As pessoas não querem que produtos fabricados no Japão sejam usados para matar pessoas em países estrangeiros", declarou ele à AFP.

Segundo uma pesquisa realizada em março pela emissora NHK, 53% dos japoneses se opõem à flexibilização das exportações de armas, enquanto apenas 32% a aprovam.

"Nascido em Hiroshima, cresci impregnado da importância da paz (…) Espero que o Japão, único país atingido por uma bomba nuclear, continue mantendo a renúncia às armas e a oposição à guerra", afirmou nesta terça‑feira Junichi Kikuta, trabalhador autônomo de 56 anos, entrevistado em Tóquio.

Os críticos acusam Sanae Takaichi de minar o pacifismo da nação. A Constituição japonesa, adotada no pós‑guerra, limita a capacidade militar do arquipélago a medidas defensivas.

"Nosso apego ao caminho e aos princípios fundamentais que seguimos há mais de 80 anos como nação pacifista permanece absolutamente inalterado", tentou tranquilizar a primeira-ministra nesta terça‑feira. Takaichi promete "análises rigorosas caso a caso" para as exportações.

Cinco grupos japoneses - Mitsubishi Heavy Industries, Kawasaki Heavy Industries, Fujitsu, Mitsubishi Electric e NEC - já figuram entre as 100 maiores empresas globais de armamento e defesa em termos de faturamento, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri).

Os fluxos globais de armas aumentaram quase 10% nos últimos cinco anos, com a Europa tendo mais que triplicado suas importações, devido à compra de armas para a Ucrânia e em reação à ameaça russa, segundo um relatório recente do Sipri.

Com AFP

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