Coreia do Sul: ex-presidente Yoon é condenado a 5 anos de prisão em primeiro julgamento
O ex-presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol foi condenado nesta sexta-feira (16) a cinco anos de prisão por obstrução da justiça e outros crimes, concluindo o primeiro de uma série de julgamentos relacionados à sua tentativa fracassada de impor uma lei marcial no país, em dezembro de 2024.
Célio Fioretti, correspondente da RFI em Seul, com agências
Este julgamento em um tribunal de Seul é separado da acusação mais grave de "insurreição", na qual a promotoria pediu a pena de morte para o ex-chefe de Estado. O veredicto é esperado para fevereiro. O caso mergulhou o país em meses de protestos em massa e instabilidade política.
"Embora tivesse o dever, acima de tudo, de defender a Constituição e o Estado de Direito como presidente, o réu, ao contrário, demonstrou uma atitude que revelou desprezo pela Constituição", disse o juiz presidente do tribunal, Baek Dae-hyun, ao proferir sua sentença. "A culpa do réu é extremamente grave."
Há um ano, após seu impeachment, o ex-presidente se entrincheirou em sua residência por quase um mês, cercado por guardas armados, e recusou-se a se entregar às autoridades. Foi realizado um verdadeiro cerco para capturá-lo. A obstrução resultou na sentença de cinco anos de prisão, imposta pela promotoria de Seul, de um total de dez anos que eram solicitados pelos procuradores.
Alguns apoiadores do ex-presidente compareceram ao tribunal para prestar apoio ao ex-líder sul-coreano. Vestindo uma jaqueta militar, o jovem Nam defendeu o presidente deposto: "Tudo isso não passa de vingança política da esquerda. Todos esses processos judiciais são baseados em documentos falsificados e falsas alegações. O presidente Yoon nunca teve a intenção de prejudicar ninguém; ele até mesmo se entregou às autoridades", declarou.
A teoria da conspiração serve de argumento para a defesa desde a prisão de Yoon Suk-yeol, há um ano, apesar das evidências apresentadas pelo juiz durante mais de uma hora na audiência desta sexta-feira.
Apesar da condenação, os apoiadores do ex-presidente ainda esperam uma reversão do veredito, principalmente no próximo julgamento, referente à tentativa de golpe. A sentença deve será anunciada em 19 de fevereiro.