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Com cessar-fogo frágil, ministro do Líbano descarta encontro entre Aoun e Netanyahu

O ministro da Cultura do Líbano, Ghassan Salamé, afirmou que o cessar-fogo firmado com Israel desde 17 de abril é apenas parcial e disse ser "impossível, nessa situação, imaginar um encontro" entre o presidente libanês Joseph Aoun e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Em entrevista à RFI, ele acusou Israel de manter ataques no sul do país, não descartou crimes de guerra e apontou impasses políticos e militares que dificultam qualquer avanço diplomático.

4 mai 2026 - 12h54
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Por Gaëtan Plenet, da RFI em Paris

O ministro da Cultura do Líbano, Ghassan Salamé, afirmou nesta segunda-feira que o cessar-fogo firmado com Israel, em vigor desde 17 de abril, não está sendo plenamente respeitado e classificou a trégua como apenas parcial. Segundo ele, embora tenha havido redução dos ataques aéreos em regiões como Beirute e o vale do Bekaa, a violência continua intensa no sul do país.

"É um meio cessar-fogo", declarou Salamé em entrevista à RFI.

De acordo com o ministro, a região sul segue sendo alvo de bombardeios, destruição de vilarejos inteiros e evacuações forçadas de dezenas de milhares de moradores. "Nos últimos dois meses, tivemos praticamente 3 mil mortos e cerca de 7 mil feridos. Houve uma leve redução após a decisão do cessar-fogo, mas apenas em Beirute. No sul, os números não caíram de forma significativa", afirmou.

Salamé confirmou a criação por Israel de uma área de demarcação conhecida como "linha amarela", transformando o sul do Líbano em uma espécie de zona tampão com cerca de 12 quilômetros de profundidade. Segundo ele, populações inteiras foram obrigadas a deixar suas casas, e o retorno não será possível tão cedo porque escolas, prédios públicos, templos religiosos e residências foram destruídos. O ministro também alertou para a intensificação recente de ataques ao norte do rio Litani, atingindo localidades a até 40 quilômetros da fronteira.

O ministro da Cultura do Líbano, Ghassan Salamé.
O ministro da Cultura do Líbano, Ghassan Salamé.
Foto: RFI

Crimes de guerra

Questionado sobre eventuais crimes de guerra, Salamé foi categórico. "Não tenho nenhuma dúvida", disse, ao afirmar que os ataques atingem indiscriminadamente áreas civis.

"Há militantes do Hezbollah entre os mortos, mas eles são minoria. A maioria é de civis. Crianças e mulheres têm chegado aos hospitais de Beirute", relatou.

Ele acrescentou que, embora Israel afirme emitir ordens de evacuação antes dos bombardeios, isso nem sempre ocorre.

Nesta segunda-feira, o líder do grupo pró-Irã Hezbollah, Naim Qasem, também condenou as operações israelenses no Líbano, apesar do cessar-fogo. Em discurso transmitido pelo canal Al Manar, Qasem afirmou que "não há cessar-fogo no Líbano, mas sim uma contínua agressão israelense-americana".

De acordo com o líder do Hezbollah, Israel continua bombardeando e demolindo prédios e impede que moradores retornem às suas casas, mesmo após a trégua anunciada e prorrogada depois de duas rodadas de negociações entre os dois países em Washington.

Qasem reiterou a rejeição do movimento xiita a negociações diretas com Israel e defendeu apenas "negociações indiretas". Para ele, "o Líbano é vítima de agressão e precisa de garantias de segurança e soberania por parte de Israel". O dirigente também criticou a diplomacia libanesa, que, segundo afirmou, mantém o país "sob tutela".

Insatisfação crescente da população

Salamé reconheceu que há crescente insatisfação na sociedade libanesa com o envolvimento do Hezbollah no conflito. Segundo ele, parte da população questiona o fato de o Líbano ser novamente arrastado para uma guerra da qual não é parte original. "Essa implicação do país em um conflito regional passa muito mal junto a uma grande parcela da população", afirmou.

Sobre a hipótese de negociações diretas entre Beirute e Tel Aviv, o ministro descartou, no momento, um encontro entre o presidente libanês Joseph Aoun e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, apesar da pressão dos Estados Unidos. "É impossível, nessa situação, imaginar um encontro desse tipo", disse. "Chefes de Estado só se reúnem quando há avanços substanciais. Hoje, parte do território libanês está ocupada, os ataques continuam e há prisioneiros libaneses em Israel."

Em relação ao desarmamento do Hezbollah, exigido por Israel, Salamé explicou que o grupo se recusa a entregar suas armas, apesar de resoluções do governo libanês. O movimento xiita sustenta que as Forças Armadas do Líbano não estão suficientemente equipadas nem treinadas para garantir a segurança do país sozinhas. "Sem dúvida, a guerra retardou ainda mais esse processo", disse.

O ministro também comentou o futuro da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul), cujo mandato expira em 31 de dezembro. O governo libanês negocia com a ONU e com países europeus, especialmente a França, a criação de uma força substituta para monitorar a fronteira após o fim da missão. "O Líbano ainda precisa de uma presença internacional para evitar novas deteriorações da segurança", afirmou.

Salamé destacou o papel ativo da França nas negociações e disse que modelos de missões internacionais já existentes na região, como na fronteira entre Síria e Israel, podem servir de inspiração para uma nova operação no sul do Líbano.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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