Cidade símbolo do turismo venezuelano se reduz a poeira e escombros após tremores
Estado de La Guaira chegou a ser declarado 'zona de desastre' por Rodríguez
Por Andres Canizales - Com olhos insones após uma noite passada nas ruas, rostos cobertos de poeira e ainda em estado de choque, muitas pessoas vagam como zumbis pelas ruas de Catia La Mar em busca de ajuda: um local que já foi símbolo do turismo na Venezuela, situado a poucos quilômetros de Caracas, mas que agora não passa de um amontoado de escombros.
Não sobrou nada por suas ruas, onde pelo menos 40 edificações desabaram enquanto tantas outras ficaram gravemente danificadas.
Este é o "marco zero" da tragédia que atingiu a Venezuela na noite de quarta-feira (25).
As pessoas ainda vestem as mesmas roupas que usavam quando fugiram de casa em disparada, logo após sentirem os tremores incrivelmente potentes e prolongados, um atrás do outro.
Embora o epicentro esteja localizado mais a oeste, o estado de La Guaira, onde fica Catia La Mar, foi o mais atingido: a região chegou a ser declarada "zona de desastre" pela presidente interina Delcy Rodríguez.
La Guaira é sinônimo de tragédias naturais no país: com exceção daqueles que ainda não tinham nascido, os demais viram retornar à memória a brutal catástrofe de dezembro de 1999, quando chuvas torrenciais provocaram deslizamentos de terra em massa e uma inundação devastadora que varreu comunidades inteiras ao longo da costa central. O desastre deixou cerca de 10 mil mortos, uma vez que números oficiais definitivos nunca foram divulgados.
Nas últimas horas, todos voltaram a sentir aquela mesma sensação de pânico e terror.
"É como reviver o pesadelo de 27 anos atrás, mas, desta vez, as pessoas estão morrendo soterradas por prédios que desabam, ao invés de debaixo de montanhas de lama", disse à ANSA Paola Canelón, repórter que passou pela tragédia há quase 30 anos anos, quando perdeu tudo no deslizamento.
Entre as estruturas danificadas está o icônico Hotel Eduard, em Macuto, agora reduzido a escombros.
Por outro lado, após o medo e a tensão iniciais, cresce a indignação entre os sobreviventes, que criticam a falta de atenção das autoridades, ainda que as equipes de resgate e os bombeiros estejam compreensivelmente sobrecarregados diante de uma área tão vasta, com tantas pessoas ainda presas sob os escombros sem que ninguém possa resgatá-las.
As autoridades têm tentado mobilizar pessoal de outras regiões e solicitaram apoio com maquinário ao setor privado, mas a resposta de resgate continua inadequada dada a dimensão da devastação.
A tragédia do terremoto em La Guaira apenas evidenciou problemas de longa data, inseridos em um contexto de instabilidade estrutural crônica na Venezuela no que diz respeito à prevenção sísmica e à preparação para desastres. A essa situação soma-se mais de uma década de crise econômica severa, marcada pela deterioração da infraestrutura, pela escassez de recursos para emergências e por limitações nos sistemas de alerta precoce e nas construções resistentes a terremotos.
Enquanto isso, na orla de Catia La Mar, pessoas choram e morrem. E a raiva dá lugar à resignação de testemunhar mais uma tragédia. .
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