China abre 'Duas Sessões' com metas econômicas e militares em meio à crise no Oriente Médio
A China abriu nesta quarta-feira (4) o grande evento político anual conhecido como as "Duas Sessões", no qual apresentará suas metas de crescimento, o orçamento militar e o novo plano quinquenal, em um contexto interno e internacional delicado. Apesar da escalada no Oriente Médio, o governo não indicou que a guerra influenciará sua agenda doméstica.
A cerimônia, amplamente coberta pela mídia chinesa, reúne milhares de parlamentares e representantes políticos durante uma semana em Pequim, sob a liderança do presidente Xi Jinping. Para o Partido Comunista, as "Duas Sessões" funcionam como vitrine de estabilidade e unidade política.
No Grande Palácio do Povo, especialistas observam com atenção qualquer sinal de mudança. O encontro ocorre em meio à continuidade da campanha anticorrupção conduzida por Xi desde 2012, que nas últimas semanas resultou na destituição de diversos altos oficiais. Na véspera, o regime anunciou a destituição de três generais.
As atividades começaram na quarta-feira com a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), responsável por emitir recomendações políticas aos parlamentares. Xi Jinping entrou no auditório sob aplausos e ao som da fanfarra militar, para uma cerimônia de meia hora.
Na quinta-feira, a sessão da Assembleia Nacional Popular (ANP), o Parlamento unicameral de 3 mil membros, será aberta, com papel predominantemente homologatório.
Crise iraniana
A China deve anunciar uma meta de crescimento entre 4,5% e 5% e divulgar seu orçamento de defesa, pressionado por tensões no Mar do Sul da China e em Taiwan. Analistas esperam um aumento semelhante ao dos últimos anos, próximo a 7%.
Observadores acompanharão nos próximos dias a postura da China diante da guerra no Oriente Médio. Pequim condenou a morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, criticou ataques dos Estados Unidos e de Israel e pediu um cessar-fogo. A crise iraniana deverá ser "amplamente" abordada na tradicional coletiva de imprensa do ministro chinês das Relações Exteriores, no domingo (8), prevê Dylan Loh, professor da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura.
As "Duas Sessões" também servirão para aprovar o plano quinquenal 2026-2030, documento central para definir prioridades econômicas, tecnológicas e demográficas.
Baixa natalidade
A China enfrenta um de seus maiores desafios estruturais: a queda acelerada da natalidade. Em 2025, o país registrou seu nível mais baixo desde 1949, intensificando o envelhecimento populacional e reduzindo a força de trabalho. O fenômeno pressiona a economia, já fragilizada por uma crise imobiliária persistente, endividamento de governos locais, excesso de capacidade industrial, pressões deflacionárias e alto desemprego entre os jovens.
Esse quadro se soma a problemas já graves: crise imobiliária prolongada, endividamento de governos locais, excesso de capacidade industrial, pressões deflacionárias e alto desemprego entre jovens. Para especialistas, a desaceleração demográfica está no centro das dificuldades atuais.
Diante disso, o governo promete ampliar investimentos em tecnologias emergentes e estimular o consumo interno, buscando fortalecer o crescimento.
O Parlamento deverá analisar leis sobre cuidados infantis, assistência social e saúde, além de discutir uma proposta para reforçar a coesão entre os 56 grupos étnicos, com ampliação do ensino em mandarim.
Com AFP