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Chanceler russo contradiz Rubio e pede clareza sobre papel dos EUA em mediação

26 jun 2026 - 09h31
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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei ‌Lavrov, pediu nesta sexta-feira um "esclarecimento" sobre o papel dos EUA na tentativa de pôr fim à guerra na Ucrânia.

Em respostas por escrito a perguntas da mídia, Lavrov intensificou uma discussão com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, sobre se os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump haviam chegado a um entendimento sobre ⁠as linhas gerais de um acordo de paz quando se encontraram no Alasca no ‌ano passado.

A Rússia afirma que de fato houve tal entendimento, ao qual costuma se referir como "o espírito de Anchorage".

Mas Rubio, em declarações à imprensa na quinta-feira, negou ‌que qualquer acordo tenha sido alcançado.

"Houve uma proposta ‌no Alasca, mas não houve acordo no Alasca. Se houvesse um acordo, ⁠já teríamos o fim da guerra", disse Rubio.

Lavrov, em resposta, apresentou a versão mais detalhada até o momento do que ocorreu na cúpula em agosto passado.

Ele disse que Putin examinou uma série de propostas dos EUA que o enviado de Trump, Steve Witkoff, havia levado a Moscou dias antes, listando-as ponto por ponto e verificando ‌com Witkoff — que estava presente na cúpula junto com Trump e Rubio — se ele, Putin, ‌as havia anotado corretamente.

Lavrov, ⁠que também estava na ⁠reunião, disse que Witkoff respondeu afirmativamente todas as vezes.

"Portanto, quando meu colega M. Rubio diz ⁠que houve apenas propostas no Alasca, mas ‌nenhum acordo, isso levanta uma ‌questão sobre o que realmente entendemos por 'acordo'", afirmou Lavrov.

"Se um lado — neste caso, os EUA — colocou na mesa suas propostas para uma solução e uma maneira de abordar essa crise, e o outro lado expressou seu consentimento com essas ⁠propostas, então alegar que não houve acordo parece bastante indelicado."

Ele acrescentou que "toda a situação" em torno do papel dos EUA precisava ser esclarecida.

Comentários críticos de Lavrov e de outras autoridades russas nesta semana apontam para uma mudança na avaliação de Moscou sobre os esforços de Washington para ‌pôr fim à guerra na Ucrânia, que estão estagnados desde que EUA e Israel lançaram uma guerra contra o Irã em fevereiro.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, ⁠disse a Trump e a outros líderes ocidentais na semana passada que Kiev estava revertendo o rumo da guerra com seus ataques no interior do território russo, incluindo refinarias de petróleo e instalações industriais.

A Rússia contesta isso e afirma que alcançará a vitória no campo de batalha caso os esforços diplomáticos não consigam chegar a um acordo de paz. Suas forças controlam cerca de um quinto da Ucrânia após mais de quatro anos de guerra.

O Kremlin reiterou na sexta-feira que valoriza os esforços de mediação de Trump e espera que eles sejam retomados.

Mas o porta-voz Dmitry Peskov, quando questionado se Moscou considerava os EUA um mediador neutro, disse que não existe neutralidade absoluta, pois os EUA ainda vendem armas e fornecem apoio tecnológico à Ucrânia.

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